Rosarinho Cruz: Do sonho da aguarela a joias de sonho

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Aquilo que mais gosta é criar. Aos 57 anos, Rosarinho, filha do aguarelista portuense António Cruz, tem nas mãos o poder de nos fazer sonhar. Tal como o pai tinha. Desde pequena que o faz. Os pincéis e os papéis, o barro e o gesso fizeram parte dos seus brinquedos preferidos. Hoje é, rodeada de diamantes, ouro e pedras preciosas, que faz o seu dia dia, acompanhada da filha Marta.

Texto de Patrícia Tadeia | Fotografias de Pedro Kirilos/Global Imagens

A marca nasceu há aproximadamente 30 anos. Mas vem muito de trás. «Nasceu comigo quando eu nasci. É um trabalho que está cá dentro. Foi um trabalho que foi crescendo, como eu também cresci», começa por dizer Rosarinho Cruz. Pedras preciosas, ouro e diamantes inspirados na «natureza, nas pessoas que a rodeiam, no amor, na lealdade, na cumplicidade de um olhar, nas ideias partilhadas».

«Nós todos nascemos, crescemos a ver a minha mãe trabalhar. Eu era muito pequena quando tudo começou. A nossa mesa da sala de jantar era joias, aguarelas, era uma mesa de trabalhos. À noite arrastavam-se as coisas para jantarmos», acrescenta a filha. Marta Pina, à semelhança da mãe, traz consigo a paixão da joalharia. É ela que trata da comunicação e vendas da marca há já sete anos. E no que toca a pedras preferidas, ambas concordam: a turmalina. «É uma pedra que tem uma infinidade de tons que gosto», diz Rosarinho. Marta continua: «Adoro a turmalina também, muito mais que as safiras, esmeraldas ou rubis.»

«É um trabalho que está cá dentro. Foi um trabalho que foi crescendo, como eu também cresci»

Convidada a definir as joias que desenha, Rosarinho não hesita: «Maternais, todas. Todas têm um sentido maternal ou numa forma cor ou num elemento. A figura mãe aparece sempre. São delicadas, femininas, minuciosas, não sou perfeccionista em nada mas nas joias sou», explica.

Com um ateliê na Rua de S. João, no Porto, – onde dão um atendimento personalizado – mãe e filha têm ainda algumas peças à venda no El Corte Ingles, e claro, online. Além disso, todos os meses viajam até Lisboa para um instalar um showroom no Valverde Hotel, na Avenida da Liberdade. «Começou por um convite de uma amiga e agora vimos sempre cá, ficamos dois dias inteiros. As pessoas chegam aqui com muita facilidade. As nossas clientes de Lisboa têm assim a oportunidade de ver de ver as peças», explica Marta.

«É uma extensão do nosso conceito. O meu ateliê é uma mini casa. É um espaço onde posso ficar a dormir. Sinto-me lá em casa», continua Rosarinho que confessa que esta paixão é uma herança de família. «Cada vez mais tenho vontade de pintar. Faço desenhos de duas a três joias por dia. Aguarela é mais raro, mas ao mesmo tempo é algo que me descontrai. Uma terapia», admite.

«Faço desenhos de duas a três joias por dia. Aguarela é mais raro, mas ao mesmo tempo é algo que me descontrai. Uma terapia»

E é dessa criação que nasce cada uma destas joias únicas. «Não temos uma coleção para vender, porque 90% das peças são únicas, as pedras são compradas avulso, não temos uma pedra igual a outra. Uma peça nunca é igual a outra», avança Marta. «Gosto de criar, não consigo estar parada. E por isso não desenho coleções que depois são feitas em série. Preciso de estar sempre a criar», assegura Rosarinho Cruz.

Feitas de materiais como o ouro, os diamantes e as pedras preciosas, estas peças podem chegar aos milhares de euros. Embora a média esteja nos 800 a 900 euros por peça, a marca já vendeu um anel de diamantes por um valor entre 3.000 e 4.000 euros.