Quinta do Crasto lança Porto com 140 anos e um tinto que é uma celebração

É uma dupla celebração e uma dupla edição. Para assinalar os 400 anos de história e o século nas mãos da mesma família, a Quinta do Crasto lançou um Porto com 140 anos, em que cada garrafa custa 5500 euros, e um tinto de mesa que junta a vinha Maria Teresa com a vinha da Ponte. Honore, chama-se a celebração.

Texto de Marina Almeida

«Eu fui para o Crasto há 60 anos. A primeira vez que lá fui, gostei imenso do Crasto, perguntei quem era a dona da quinta. E casei-me com ela». Jorge Roquette arrancou uma gargalhada coletiva à plateia. Falava antes de chegar aos copos o Honore very old tawny Porto, um vinho com mais de cem anos (a família estima que serão 140), já a sala bebia os últimos goles de Honore Douro Doc 2015 – dois vinhos de celebração, para colecionadores.

Era dia de festa para a família. Ao lado de Jorge Roquette na mesa do centro da sala, estava Leonor Guedes de Almeida. Juntos pegaram na Quinta do Crasto, nos anos 1980. Compraram as quotas da família e ali iniciaram a produção de vinhos do Douro e do Porto. A Quinta do Crasto fora comprada pelo do avô de Leonor, Constantino, em 1918. Constantino de Almeida, produtor e exportador de vinhos do Porto e brandy – o avô Constantino.

Na mesa da família estavam também os filhos Tomás, Miguel e Rita, que se juntaram ao gosto dos pais pelos vinhos. Foi Tomás quem primeiro se dirigiu aos convidados do jantar em que a Quinta do Crasto se deu a beber em dois momentos excecionais. Disse que ali, à volta das mesas, se celebrava quatro séculos de história e cem anos na família. Abriram-se as garrafas de Honore Douro DOC 2015, as primeiras de 1615 magnum – o número alude à primeira referência escrita à Quinta do Crasto. Trata-se de uma edição limitada desde vinho que junta lotes de vinhas centenárias, a Vinha Maria Teresa e da Vinha da Ponte.

«É um vinho de mesa onde não existe intervenção da enologia, existe respeito pelo terroir», referiu o enólogo Manuel Lobo, que não se poupou a descrições entusiasmadas. «É um vinho único», disse explicando que se junta numa garrafa «duas vinhas únicas»: A Vinha Maria Teresa, 4,7 hectares, exposta a nascente, onde há 49 variedades de vinhas velhas – «Esta vinha, se tivesse um adjetivo seria a elegância»; E a Vinha da Ponte, 1,9 hectares, virada a nascente sul». O Honore Douro DOC 2015 tem «a elegância do Maria Teresa e a robustez da Vinha da Ponte, sendo 71% Maria Teresa», referiu.

Honore Douro DOC 2015, uma edição limitada e com PVP de mil euros

Foi 2015 o ano em que se juntaram as duas vinhas. «Foi um ano muito seco com precipitações ideias ao longo do ciclo vegetativo. Comentávamos que não era possível juntar as duas vinhas mas 2015 foi um ano excecional. Lançamos as duas vinhas em separado e quando os lotes estavam feitos, os lotes da Maria Teresa e da Ponte foram retirados e fizemos o Honore». O vinho estagiou 20 meses em barricas novas de carvalho. Cada garrafa – apenas é produzida a magnum – custa mil euros.

Já o Honore very old tawny Porto, é um vinho com mais de cem anos – cerca de 140, estima a família. É proveniente de um número muito reduzido de cascos, de colheitas anteriores a 1918, pertencentes ao stock de Constantino de Almeida e preservados na quinta durante três gerações. É disponibilizado em 400 decanters, numa edição numerada e com detalhes de requinte por 5500 euros cada.

As garrafas cristal Vista Alegre são inspiradas nos socalcos do Crasto, e têm uma cinta de prata, produzida pela Topázio. É vendido numa caixa de madeira de nogueira sem ferragens com detalhes de alcântara cosida à mão – «como se fosse uma peça de mobiliário antiga», referiu Diogo Rocha da Omdesign, responsável pela apresentação do produto.

Honore foi a escolha para este projeto especial. Resgataram a divisa Honore et Labore (com honra e trabalho), usada por Constantino de Almeida, que surge de forma dicreta no logotipo da empresa.