Pitti Uomo: feira de vaidades ou tendências de moda?

Terminou esta sexta, dia 11 de janeiro, mais uma edição da Pitti Uomo. Uma das mais importantes feira de moda masculina do mundo que tem lugar em Florença, Itália. De seis em seis meses, e desde 1972, milhares de profissionais da industria da moda, jornalistas e influenciadores rumam à cidade dos Medici. Uma feira de vaidades ou a busca de tendências?

Texto de Filipe Gil, em Florença*

A semana acaba e com ela mais uma edição da Pitti Uomo, evento cada vez mais importante no mundo da moda, tendências e lifestyle que desde 1972 leva milhares a Florença. A DN Ócio esteve presente na edição número 95 e percebeu, pelo multidão de visitantes que há muita inspiração não só naquilo que os fabricantes apresentam nas suas coleções mas no “circo” à volta do evento (ver a galeria de imagens).

A edição 95 contou com 1200 expositores e recebeu 34 mil visitantes de várias nacionalidades. E de acordo com os números oficiais avançados pela organização, nove mil compradores internacionais marcaram presença nas muralhas da Fortezza de Basso, local principa do evento.

O ambiente é muito próprio, único. e por vezes sui generis. Muitos visitantes vestidos a rigor, ora num estilo mais clássico ora mais arrojados, a posar para as inúmeras fotografias que nesta semana invadem as redes sociais mais conhecidas.

Há volta do evento existem muitos outros relacionados com a Pitti Uomo que tomam contam de Florença durante a semana. São inúmeros os eventos, festas e desfiles a decorrer nos vários palácios da cidade.

Tânia Nicole criadora da marca Nycole – que tem tido presença assídua na Moda Lisboa e Portugal Fashion – explica como a Pitti Uomo a inspira: “vindos ou não para aparecer há pessoas muito bem vestidas que nos inspiram. Se calhar não tanto para criar peças mas dão ideias para usar em desfiles. E apesar de ser uma feira masculina, também se vê mulheres muito bem vestidas”.

Luís Campos, fundador da marca de meias West Mister explica que a presença na Pitti Uomo influencia muito. Serve, sobretudo para tirar ideias, diz. “Não só das pessoas que vemos mas também de outras marcas que expõem aqui. Procuramos, tal como os outros, ver as tendências de mercado”.

Manuel Magalhães um dos responsáveis da marca de roupa The Portuguese Flannel é presença assídua nas últimas edições da Pitti Uomo. Contudo, confessa que vem à feira para vender e não em busca de tendências: “esta é das feiras que menos gosto de fazer, tem um cariz muito comercial e nós não queremos ser uma marca comercial, não queremos crescer muito. Além disso, não estão aqui as marcas que de alguma forma nos influenciam”.
Nesta edição, a 95, Portugal foi o país convidado a levar produtos de várias marcas para o evento. A Pitti Uomo volta a Florença de 4 a 11 junho para a edição 96 que servirá para apresentar as coleções para a primavera de 2020.
*o jornalista viajou a convite da organização da Pitti Uomo.