Os novos museus de 2019

De Berlim a Nova Iorque, com escala nos alpes suíços, a cultura abre novas portas pelo mundo. Dos grandes museus, a projetos mais fora dos centros.

Texto de Marina Almeida

Primeira paragem: Berlim. Duas importantes aberturas vão marcar o ano na Alemanha. Em Berlim, o Humboldt Forum promete revolucionar todo um bairro e uma forma de pensar a cultura e a arquitetura. Implantado à beira do rio Spree, abre ao público a 14 de setembro de 2019 e dedica-se aos temas das migrações, religião e globalização. O projeto é do italiano Franco Stella, que levou para o edifício contemporâneo três fachadas idênticas ao Palácio de Berlim (The Schloss), um edifício barroco do século XVIII que existia no local e foi bombardeado pelos Aliados durante a II Guerra Mundial (e posteriormente demolido para dar lugar ao parlamento da Alemanha Oriental, no pós guerra, num edifício modernista).

Localizado no centro da cidade, o Humboldt Forum tem um custo global de 595 milhões de euros, dos quais 483 foram financiados pelo governo federal, 32 pela cidade e 80 de donativos privados destinados à reconstrução das fachadas históricas.

O Humboldt Forum fixa o nome de dois irmãos notáveis do século XIX: Alexander (1769-1859), naturalista e investigador, e Wilhelm Humboldt (1767-1835), educador, filósofo e linguista, fundador da Universidade de Berlim, amigo de Goethe e Schiller.

Nas suas coleções junta artefactos coloniais, como barcos de madeira do Pacífico Sul, e terá a reprodução de um templo budista chinês do século V, entre muitos outros vestígios de um passado que a Alemanha agora junta num enorme empreendimento cultural na ilha dos museus de Berlim.

Também na Alemanha, em Dessau a 8 de setembro, deverá inaugurar o Museu Bauhaus. No ano do centenário da escola de artes, fundada por Walter Gropius em 1919, o museu vai mostrar pela primeira vez toda a coleção da Fundação Bauhaus Dessau, constituída por mais de 40 mil objetos.

O projeto é dos espanhóis addenda architects, um coletivo de jovens arquitetos de Barcelona, que ganhou um concurso internacional entre 831 propostas. Terá um espaço expositivo de 2100 metros quadrados e localiza-se no parque da cidade.

Abre já a 2 de janeiro nos Alpes suíços o Museu Susch. Localizado no vale do Rio Inn, surge com um enquadramento único, no local de um antigo mosteiro medieval e junta a coleção de arte moderna da polaca Grażyna Kulczyk. A empresária e colecionadora, uma das mulheres mais ricas da Polónia, vai apresentar arte do seu país, e de outros países europeus. A sua ideia é dar o palco a artistas que foram marginalizados ou permanecem fora dos grandes circuitos da arte.

O Museu Susch inaugura com a exposição A Woman Looking at Men Looking at Women, com curadoria de Kasia Redzisz. Entre as artistas representadas está a portuguesa Helena Almeida, juntamente com obras de Carla Accardi, Magdalena Abakanowicz, Mirosław Bałka, Judith Bernstein ou Louise Bourgeois, entre outras. A exposição fica até junho. O museu aposta ainda muito em obras site specific. A primeira a chegar ao local foi Stairs, de Monika Sosnowska (2017), uma estrutura de aço de 14 metros, que alude à antiga torre de gelo da cervejaria existente no espaço.

Na primavera de 2019, Nova Iorque assiste à abertura do aguardado The Shed, o novo centro de artes performativas de Manhattan. O espaço de 200 mil metros quadrados, da autoria do atelier Diller Scofidio + Renfro, é constituído por um edifício base de oito pisos, com galerias, teatros, laboratórios criativos, e um segundo corpo, movível graças a calhas telescópicas inspiradas na antiga linha de caminho de ferro existente no local, pode ser aberto ou expandido consoante as necessidades criativas (recorde-se que o atelier de arquitetos assina, em co autoria, o projeto The High Line, que reabilita a linha de metro desativada com jardins e espaços públicos). A estreia do espetáculo da islandesa Bjork, Cornucopia. uma nova produção de Trisha Donnelly ou o trabalho de Steve McQueen Soundtrack of America estão entre as propostas para a abertura do The Shed.

O novo ano traz também um novo Moma. A expansão do Museu de Arte Moderna de Nova Iorque, igualmente da autoria do atelier Diller Scofidio + Renfro, visa dotar o museu de mais espaço expositivo.