Na ARCO Madrid a cortiça portuguesa também é obra de arte

A obra "Ninot, 2019" dos artistas Santiago Sierra e Eugenio Merino, que retrata o Rei Filipe de Espanha e foi feita para ser queimada (REUTERS/Susana Vera)

Na feira internacional de arte contemporânea de Madrid estão representadas 14 galerias portuguesas. A sala VIP foi decorada e revestida com cortiça, num projeto de Lázaro Rosa-Violán executado pela corticeira Amorim.

À embaixada portuguesa de 14 galerias de arte contemporânea na ARCO Madrid, junta-se nesta edição a cortiça que reveste as paredes da sala VIP e surge incorporada em mobiliário onde galeristas, colecionadores e convidados são convidados a fazer uma pausa.

O conceito criativo é do espanhol Lázaro Rosa Violán e a execução da Corticeira Amorim. “Esta parceria permitiu valorizar a unicidade estética da cortiça, e explorar a singularidade natural deste material, como a durabilidade e a leveza, num espaço tão exclusivo do certame de arte contemporânea, mais atrativo e relevante, do mercado espanhol”, refere a empresa.

Vista da sala VIP da ARCO Madrid (DR)

A ARCO Madrid, cuja 38ª edição termina no domingo, junta 203 galerias de 31 países e tem como país convidado o Perú.

Para além das 14 galerias nacionais, estão representados o MAAT e as Galerias Municipais de Lisboa. Também a revista Umbigo se associou ao evento.

Uma obra para queimar

Entre as obras da ARCO, está uma escultura do rei Filipe de Espanha, que custa 200 mil euros e quem a comprar tem de concordar com a sua destruição. A inspiração de Santiago Sierra e Eugenio Merino foram os bonecos queimados nas festas tradicionais de Valência, Espanha. Feita em madeira e cera, após ser queimada da Ninot – assim se chama a escultura – apenas deverá restar o crânio. “Não está a comprar uma escultura, mas um processo”, disse o porta-voz da Prometeo, a galeria de arte italiana que está a vender a peça dos artistas espanhóis.

“Vejo-o como uma performance. É como o Banksy”, disse a colecionadora Nena von Stumm à Reuters, aludindo à peça Rapariga com Balão do grafiter britânico, que se autodestruiu após ser arrematada em leilão por mais de um milhão de euros – e viu o seu valor imediatamente aumentar. A obra foi rebatizada Love is in the Bin e está atualmente em exposição num museu na Alemanha.

A obra de Banksy’s ‘Love is in the Bin’ pela primeira vez em exposição no Museu Frieder Burda em Baden-Baden (Alemanha) EPA/RONALD WITTEK