Museu Nacional do Qatar é uma rosa do deserto desenhada por Jean Nouvel

Vista geral do novo museu, um projeto do atelier Jean Nouvel (FOTO:Iwan Baan/Atelier Jean Nouvel)

Abre as portas a 28 de março e vai contar a história do país. O arquiteto francês levou a iconografia do deserto para a cidade e construiu o Museu Nacional do Qatar em Doha, em torno de um palácio do século XIX, de um antigo Emir do Qatar.

Texto de Marina Almeida

A cobertura do novo Museu Nacional do Qatar, em Doha, remete de imediato para a rosa do deserto. Os delicados e irregulares discos são uma das marcas fortes do desenho de Jean Nouvel. Com uma área de 52 mil metros quadrados, o novo museu vai mostrar a herança do país, e celebrar o futuro. No centro do complexo museológico está o palácio do Sheik Abdullah bin Jassim Al Thani (1880-1957), filho do fundador do Qatar moderno, que já foi a casa da família real.

«O Museu Nacional do Qatar emerge de um deserto que se aventurou até ao mar», refere Jean Nouvel. «Simbolicamente, a sua arquitetura evoca o deserto, o seu silêncio e dimensão eterna, mas também o espírito da modernidade», diz o arquiteto francês assina a arquitetura do museu, onde domina o betão e a fibra de vidro.

No centro do complexo está o palácio do Sheik Abdullah bin Jassim Al Thani (1880-1957), filho do fundador do Qatar moderno, que já foi a casa da família real
(FOTO: Iwan Baan/Atelier Jean Nouvel)

Para além da exposição permanente, o Museu Nacional do Qatar conta com um auditório com capacidade para 220 pessoas, um restaurante, dois cafés, lojas e espaço para armazém e reservas. «Tudo neste museu trabalha para o visitante se sentir no deserto e no mar», disse o prémio Pritzker 2008, que é também o autor do impactante Museu do Louvre em Abu Dhabi, que abriu em 2017.

A visita está organizada em três capítulos cronológicos, desde o período pré ocupação humana. Entre os vários tesouros que vão estar em exposição, destaque para o tapete de pérolas de Baroda (1865), bordado, com mais de 1,5 milhões de pérolas, bem como esmeraldas, diamantes e safiras – num total de mais de 2,2 milhões de pedras preciosas. O tapete foi comprado em leilão, em 2009, por 4,7 milhões de euros. Algumas das peças do futuro museu podem ser vistas no Google Arts and Culture.

No Museu Nacional do Qatar, «os visitantes podem conhecer os antepassados do Qatar e a formação das primeiras cidades, bem como a modernização da sociedade. As exposições vão juntar objetos históricos e influências contemporâneas, abrindo um diálogo à volta do impacto das mudanças rápidas», refere o museu na sua página online. O circuito faz-se ao longo de onze galerias interligadas, num total de 1,5 quilómetros, que não demora menos de duas horas a percorrer. No exterior, o parque reinterpreta a flora do país.

As delicados e irregulares discos são uma das marcas fortes do desenho do museu, que será inaugurado a 28 de março (FOTO: Iwan Baan/Atelier Jean Nouvel)

«O Museu Nacional vai dar aos visitantes uma experiência de visita sem precedentes», referiu a diretora da instituição. No centro deste foco de aprendizagem intergeracional está um arquivo digital com milhares de imagens, vídeos e documentos do país. «Todos estes elementos vão ser disponibilizados ao maior número de pessoas possível».

Este é o mais recente complexo cultural da cidade de Doha. A Biblioteca Nacional do Qatar, projeto do atelier OMA, abriu em abril de 2018, e o Arquivo Nacional do Qatar em 2017. O país vai receber o Campeonato do Mundo de Futebol em 2022.

Museu do Louvre de Abu Dhabi, inaugurado em 2017 (Reuters)

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