Marca portuguesa reutiliza peças de alta-costura e dá-lhes uma nova vida

Aproveitar peças das mais prestigiadas casas de alta-costura. Este é o objetivo desta marca cuja primeira coleção homenageia Madonna. Chama-se «The Thinker and The Sinner» e o lançamento oficial acontece durante este mês.

Texto de Patrícia Tadeia

A ideia é simples. Centrada numa perspetiva de economia circular, esta startup portuguesa visa aproveitar peças das mais prestigiadas casas de alta-costura, criando novos artigos de decoração de luxo desenvolvidos a partir da técnica de «patchwork», ou seja, trabalho com retalho.

«O projeto nasceu da necessidade de reaproveitar tecidos, aliás basta pensarmos que quando emagrecemos, para a roupa nos cair bem, basta apertar, mas quando a seguir engordamos de novo temos que acrescentar bocados e isso é o mais básico do ‘patchwork’, como ainda hoje se utiliza em África, em sociedades com maiores dificuldades, económicas e sociais», começa por explicar António Peres, cofundador da marca.

A primeira coleção da «The Thinker and The Sinner» consiste numa linha de almofadas. «A partir do ‘patchwork’ básico, criou-se um produto aspiracional, através da nossa coleção de almofadas decorativas e linhas de acessórios. No futuro vamos entrar na confeção, com tecidos novos resultantes de restos de coleção por exemplo», continua o responsável.

Nesta primeira linha de almofadas, há uma homenagem especial a Madonna. A marca acrescenta que estas serão mesmo entregues à artista norte-americana que reside em Portugal. A Patchwork Luxury Collection by «The Thinker and The Sinner» «é uma coleção sofisticada, única, irrepetível e inteiramente manual, que são as características que definem o mundo da couture. Criámos uma almofada que é o ponto de encontro de duas ‘Madonnas’, a de Fátima e a rainha da pop, e a almofada será entregue à artista em sua casa por um amigo e pelo fundador do Movimento Mulheres de Vermelho. É a mais valiosa das almofadas, já que conta com um Terço em ouro”, explica Paulo Julião, diretor de marca e diretor do ateliê.

A marca tem recebido doações de tecidos de marcas de luxo, mas António Peres confessa que esse é o «trabalho mais difícil», pois «passa pela criação de múltiplas parcerias, sobretudo quando falamos de produtos monomarca».

Além de promover a sustentabilidade, o desperdício zero e a reciclagem, este é ainda um projeto solidário. Dez por cento das vendas serão doadas a duas associações nacionais: «Em 2019 foram selecionadas duas instituições, a APAV e a Associação Movimento Mulheres de Vermelho», conclui António.