Luxo, arte e design nacional unidos num fim de semana em Sagres

Da arte à joalharia, passando pelo design, cosmética, surf e mobiliário, foram nove os projetos a marcar presença na 7.ª edição do Luxury, Art & Design Weekend, que decorreu entre sexta-feira e domingo no Martinhal Sagres. A DN Ócio esteve por lá e conta-lhe as últimas no que toca ao luxo «Made in Portugal».

Reportagem de Patrícia Tadeia

Foi com um sol de verão que Sagres nos acolheu para mais uma edição de um evento que juntou artistas, artesãos, designers, e projetos de luxo. Pelo sétimo ano consecutivo o Martinhal Sagres incentivou a partilha de experiências únicas, olhando para o que de melhor se fabrica em Portugal. Na edição deste ano, o artista em residência do hotel é Pedro Batista que recriou um «Playground», um exposição que é também um projeto ligado à família.

«Vejo a paixão dos meus filhos com os brinquedos e lembro-me de como eu era igual. Então resolvi pegar em brinquedos e reviver esta sensação, esta nostalgia de viajar até à infância», explicou o artista de Carcavelos, mas que durante seis meses viveu em Berlim.

Desde então, Pedro já participou em variadas exposições individuais e coletivas, em Lisboa, Málaga, Medellín, Estocolmo e Nova Iorque, e nesta mostra no Martinhal Sagres exibe um total de 23 peças, entre as quais dois trípticos, cujos preços rondam os 2000 euros. Já a peça principal, «Playground», tem um preço de 4900 euros, e mostra «pequenos street artists, deixados a um canto», e pelo meio «vários rabiscos de crianças». «É como se estes bonecos vivessem neste espaço», conclui Pedro.

Ali, lado a lado com as peças de Pedro Batista, no lobby do hotel, nasceu o «Cabinet of Curiosities» de Gracinha Viterbo. Um pequeno mundo de peças por descobrir. «O Cabinet pretende desafiar o mundo. São objetos improváveis, únicos, em que nos encontramos. Em que valorizamos a criatividade, a definição de identidade, e a capacidade de produzir histórias, cenários de vida reais. O Cabinet é uma caixa de tesouros», explica aquela que é uma das designers de interiores portuguesas mais conceituadas.

Nesta pequena «caixa de tesouros», a designer recria, em parceria com Miguel Vieira da Rocha, o verdadeiro «Cabinet of Curiosities», localizado no Estoril. O império Viterbo encontra neste espaço com a curadoria de Gracinha uma variedade de pequenas salas com cadeirões, roupas, acessórios, jarrões, almofadas, quadros, livros, como se de um país das maravilhas se tratasse.

Ainda antes da paragem para almoço, ficamos a conhecer a Rival, e ainda pomos as mãos na massa. Ou na madeira. Ricardo Jerónimo é licenciado em designer de equipamento mas desde pequeno que gosta de trabalhar em madeira. Tudo começou com um quarto em casa, em Caneças, que se tornou num ateliê. A Rival produz peças de autor, totalmente trabalhadas à mão. «É um trabalho árduo, que pede muito tempo. É quase meditativo para mim. No fim do dia sinto-me cansado, mas muito orgulhoso do trabalho que fiz. Tem feito com que eu crescesse como pessoa», explica Ricardo que já trabalhou com vários chefs no fabrico de material para restaurantes. Por isso utiliza madeiras indicadas para uso culinário: nogueira, cerejeira, faia e carvalho. Até porque um dos objetivos claros é que as peças sejam utilitárias, e não só decorativas.

Todas as madeiras que a Rival utiliza são reutilizadas. Nada se perde. Tudo se aproveita. A recolha de materiais dá-se em marcenarias antigas de Lisboa. «Nada vai para o lixo, reaproveito madeiras, algumas como 50 anos. Deixam-me sempre vascular e escolher as madeiras que mais me interessam», confessa Ricardo que cresceu a ver o avô a criar peças com o pequeno canivete. «Fazia carros, bonecos. Tudo com um design artesanal», recorda.

Apesar de se chamar «Rival», esta é uma marca pouco competitiva, até porque Ricardo gosta de partilhar o seu saber, através de workshops que dá regularmente. E foi num desses workshops de «spoon carving» que tivemos oportunidade de participar e concluir que realmente, não é um trabalho fácil. E porque o esforço foi árduo, era tempo de parar para almoçar.

Presente também neste Luxury, Art & Design Weekend esteve a Foreo, uma marca de dispositivos de limpeza facial com uma tecnologia sónica. «Não viemos fazer nada de novo, viemos sim ultrapassar barreiras que existiam no mercado a nível de dispositivos de limpeza facial. Não trabalhamos com nylon, que é o material das escovas de dentes, trabalhamos com silicone grau médico, que é muito mais higiénico e não acumula bactérias», começa por explicar Mariana Guerra, responsável da Foreo em Portugal.

A marca oferece dez anos de garantia ao cliente e apresenta dispositivos em silicone com uma «grande autonomia de bateria, que permite a adaptação à mulher moderna, à mulher que viaja imenso, e que tem uma vida agitada», explica ainda.

Os dispositivos têm uma tecnologia sónica, com filamentos que, em vez de girarem, se contraem a 8000 pulsações por minuto, como se fosse uma limpeza vertical, com o objetivo de abrir o poro, mas não em demasia.

«Este produto é um luxo, porque permite personalizar um serviço que seria muito dispendioso fora de casa e levá-lo para dentro de casa. Há máscaras que podem ser aplicadas em 90 segundos, temos crioterapia, trazemos tudo isso para a mulher moderna», conclui Mariana.

Dos cuidados da pele, seguimos para o surf. A Fly Black Bird é uma marca portuguesa que produz pranchas de surf com uma abordagem mais alternativa. Criada pelo designer gráfico Pedro Falcão, este é um projeto baseado numa abordagem singular ao surf, um conceito que olha para o passado com os olhos apontados para o futuro. «São pranchas únicas, não há duas iguais, feitas com materiais mais leves, e cujo design resulta do trabalho com um shaper ou através de um programa digital», explica Pedro que começou a surfar em 1987 em Peniche.

Além das pranchas, Pedro reuniu em vários livros histórias de pessoas com quem se vai cruzando neste processo: arquitetos, ilustradores, designers. «Os livros são uma extensão do projeto porque juntam pessoas que de alguma forma se relacionam, mas com o oceano com uma perspetiva diferente», revela o fundador da Fly Black Bird, marca que conta com embaixadores como John Magrath, Mauro Motty e João Noronha.

A Claus Porto, que abriu recentemente a terceira loja – depois de Lisboa e Porto, foi a vez de Nova Iorque – viajou até Sagres para nos dar a conhecer os novos produtos. Contando com o trabalho de Lyn Harris, a marca centenária lançou «cinco novas águas-de-colónia que expressam as vivências da perfumista inglesa em cinco regiões de Portugal», explicou Maria João Nogueira Mendes, communication manager da marca. «Todos os produtos são embalados à mão, temos já 5.ª e 6.ª geração de famílias a trabalhar na nossa fábrica», acrescenta ainda.

Depois do lançamento de «Le Parfum», um perfume exclusivo, de edição limitada (foram produzidos 1887 exemplares numerados de 1 a 1887 em que o número exibido em cada frasco foi gravado à mão por um artesão português), a Claus Porto apresentou assim as águas de colónia que transmitem aromas que refletem a beleza do país: «Vetiver», «Geranium», «Fougère», «Clementina» e «Porto».

Dos amoras do país, passámos aos aromas gastronómicos do chef francês Vincent Farges que abriu recentemente o Epur, primeiro restaurante em nome próprio em Lisboa. O chef convidado do evento apresentou um menu que foi brindado com os vinhos Herdade do Grous e da Quinta de Valbom.

O Luxury, Art & Design Weekend continuou no domingo com a apresentação da Puressentiel e um workshop sobre óleos essenciais. Alexandra Pacheco, farmacêutica desde 1990, abordou o tema da «aromaterapia como forma de cuidar da saúde, seja a título preventivo ou curativo». «As plantas aromáticas são muito raras. Apenas 10% das 800 mil espécies são aromáticas», referiu a diretora geral da Puressentiel Portugal.

«Uma gota destes óleos corresponde a 67 taças de tisana», acrescenta a representante da marca que está em Portugal desde este ano. «Portugal pode ser um excelente país para produzir plantas aromáticas, muito devido ao clima», refere ainda. Entre os produtos apresentados, destaque para o spray purificante, que elimina vírus, bactérias e poluição, um spray nasal descongestionante, 14 óleos para articulações e músculos, produtos para melhorar o sono e ajudar a relaxar, ou contra as dores de cabeça.

«A Util é uma marca de mobiliário e acessórios com sede em Lisboa», começa assim Manuel Amaral Netto, art diretor da marca, que regressou a Portugal há quatro anos depois de uma temporada em Milão, Holanda, Roterdão, Lausanne.

«Portugal era conhecido pelo fabrico de inúmeros produtos. Fazia sentido voltar. Comecei a visitar marcas, e criar uma ideia para uma potencial marca de ‘welcoming products’», ou seja, produtos que fizessem sentido no ato de receber alguém (mini-bar, cabide…), explica Manuel.

A marca aposta em produtos de linhas simples, minimalistas, mas com detalhes que têm como objetivo roubar um sorriso a quem os contempla. Com nove peças à venda online atualmente, o art director confessa que tem um mercado português, na ordem dos 50 a 60%, vendendo também para Alemanha França, Reino Unido, Espanha ou Suíça.

A fechar o fim de semana de luxo, arte e design, a marca Carolina Curado Jewellery. «A paixão pela joalharia já é antiga. Desde pequena que tinha missangas espalhadas pela casa. Mas depois optei por estudar Biologia, e só em 2009 voltei à joalharia», começa por contar a designer de Paço de Arcos. «São peças diferentes, de latão com banho de ouro de 24 quilates, que resultam de um trabalho artesanal e de um processo muito moroso», explica ainda.

Com inspiração na natureza, as peças da Carolina Curado Jewellery são diferentes e muitas delas únicas, já que além da produção em série, produz peças de edição limitada. «Propomos formas diferentes de usar cada peça. Não é um anel, um brinco normal. Da peça mais pequena à peça mais exuberante, os clientes percebem pelos detalhes que o trabalho é nosso. Cada peça tem o nosso ADN», afirma ainda.

«Além disso tentamos sempre levar os clientes a sair da zona de conforto. Tentamos passar valores, de que há elegância, que pode ser arrojada, mas também pode ser delicada. Queremos que as mulheres se sintam confiantes e fortes», conclui. Fátima Reis, que se dedica à área mais comunicação da marca, acrescenta que em 2019 será o ano da internacionalização da marca. «Vamos começar pela Europa, temos 2 ou 3 países delineados (Alemanha, Itália e talvez Espanha), com a presença física em feiras de joalharia e uma presença digital muito forte nas agências locais», diz Fátima.