“Isolamento” de luxo no Algarve

Numa estrada contígua em direção à Praia da Luz, no Algarve, há um hotel que apela ao sossego aliado ao luxo. Em pleno Barlavento algarvio, e mesmo depois de um verão movimentado, há quem o escolha, principalmente, estrangeiros, para uma escapadela de início de outono. Fomos saber porquê.

Texto de Filipe Gil

O Vila Verde Design & Country Hotel puxa dos galões ao indicar o título de único hotel rural de cinco estrelas no Algarve. O sossego do local é quase idílico. São cinco hectares com árvores de fruto, relva a perder de vista onde, por vezes, surgem coelhos selvagens a saltarem dos arbustos. E ainda pássaros a esvoaçar de um lado para o outro.

Por isso mesmo, perde-se um pouco a noção de onde estamos, não fosse o cheiro típico do Algarve. Ao longe sabemos que lá está a Praia da Luz, com turistas, maioritariamente estrangeiros a aproveitar os raios de sol teimosos do sul de Portugal, mas naquele espaço, nada se nota. Estamos quase isolados do resto do mundo.

O hotel conta com 15 quartos espaçosos. Que variam entre os 29 e os 55 metros quadrados. Uns com terraço outros com varanda. O adjetivo deste hotel “boutique de luxo”, como lhe chamam os responsáveis assenta bem. Apenas o bar com sistema self service, onde os hóspedes apontam aquilo que consumiram num papel, faz-nos descer um pouco à terra e esquecer a ideia de luxo por uns tempos. Isso e os poucos empregados que existem. Contudo, a simpatia faz esquecer a pouca presença de staff do hotel.

O edifício onde o hotel foi edificado data do século XIX e foi recuperado para nascer o Vila Valverde. Luís Tavares, o dono e diretor do hotel, com anos de experiência no setor hoteleiro, o que ajuda a chamar muitos turistas, principalmente alemães, para passarem uns dias em sossego quase absoluto, conta. O hotel recebeu, recentemente, a distinção internacional Green Key que serve para promover o turismo sustentável

Fora do edifício há uma pequena piscina exterior ladeada por pequenas poltronas onde se pode relaxar nos dias de maior calor e sol. Mas é lá dentro que está um dos espaços mais interessantes para quem quer mesmo relaxar: uma piscina interior, mais generosa que a maioria que equipa os hotéis e SPA do Algarve. De água aquecida e com tratamento especial para que não exista as inconvenientes gotas de vapor a escorrer pelas paredes. Bem perto há o espaço da sauna e outro para vários tratamentos terapêuticos.

Piscar o olhos às estrelas

Outro dos pontos de interesse do local é o restaurante, não o espaço propriamente dito, que não é mais do que a extensão da sala entre biombos separadores, mas o que podemos lá comer. A responsabilidade é do chef Ricardo Macieira que está de volta ao restaurante depois de uns tempos fora. Anteriormente, o chef português trabalhou na Casa da Calçada, em Amarante, com o chef Vítor Matos e esteve umas temporadas fora de Portugal, na Holanda onde trabalhou com o chef Michel Van Der Krof, no restaurante com duas estrelas Michelin ´t Nonnetje.

A pastelaria é responsablidade da chef Andreia Cabrita – que antes de ingressar no Vila Valverde Hotel passou por vários restaurantes em Londres, como o Oxo Tower, o Roka Mayfair e o The Swan no Globle Theatre, também na capital britânica. .

Ricardo Macieira desenhou uma nova carta para o Vila Valverde, com pratos de assinatura repletos de inspiração portuguesa, em perfeita harmonia com influências internacionais, como são exemplo o “Lingueirão com molho holandês”, o “Polvo Roxo” e o “Chip de Shiitake”. Não esconde a ambição de mais reconhecimento. Quiçá com estrelas Michelin. Pelos ingredientes e qualidade dos pratos servidos não será difícil. Mas a envolvência do espaço, agradável mas non tropo, não deverá convencer os exigentes parâmetros da Michelin.

Em suma, é um espaço para quem procura estar junto da natureza, isolado, para um sossego idílico e que no final do dia tem a surpresa de uma cozinha muito acima da média.