Há uma nova marca portuguesa de jeans de luxo

Os puristas defendem que não se deve lavar as calças de ganga. Para que cada par se adapte às marcas do corpo. Para que cada calça seja exclusiva, única e customizada. Loucura ou não, a verdade é que não há quem não se renda ao denim. Não há quem não tenha um par de jeans no armário. E chegou a hora de Portugal se afirmar no mercado. A Just.O é uma marca portuguesa de denim vocacionada para o segmento premium. A DN Ócio foi conhecê-la.

Texto de Patrícia Tadeia

Diz-se que cerca de 50 por cento da população do mundo tem, neste momento, vestido um par de jeans. Mas afinal, o que sabemos nós sobre o denim? O tecido de algodão – que já chegou há muito ao segmento premium – tem, na verdade, uma origem humilde. A palavra surgiu em França, em referência ao local onde eram produzidas as velas de barcos: a cidade de Nîmes.

Desde então até hoje muitos se foram apaixonando pelo tecido e um dos grandes apaixonados é Pedro Tavares. Foi no Porto, em 2004, que fundou o grupo Just Fashion – empresa que agencia marcas internacionais de segmento premium, como Elisabetta Franchi, Liu Jo, Daniele Alessandrini ou Monnalisa.

«O denim para mim é uma paixão, sempre tive o sonho de criar uma etiqueta própria, de mono produto. Como temos esta experiência com marcas internacionais e temos a sensibilidade para aquilo que são as necessidades de mercado, resolvemos lançar esta marca», começa por explicar Pedro.

A marca de background eco friendly engloba duas linhas distintas: Just.O (para homem) e My Fair by Just.O (para senhora). Não é uma marca para «mass market». «A nossa intenção é o segmento premium. Não existe nenhuma marca de denim portuguesa para este segmento. Encontrámos aqui uma lacuna. É nessa guerra que queremos estar. Temos os fornecedores de confeção e a lavandaria em Famalicão e Guimarães. É uma marca Made In Portugal», avança enquanto nos guia pelo showroom da marca.

«O denim para mim é uma paixão, sempre tive o sonho de criar uma etiqueta própria, de monoproduto.»

Tal como o nome indica – com palavras como ‘justo’ / ‘fair’ – a marca tem uma preocupação sustentável. «Aposta-se num processo digno desde o início, até ao produto final. Trabalhamos com matéria-prima da Candiani, uma empresa italiana que é uma referência no setor do denim e tem um certificado sustentável [Best Cotton Initiative], que permite saber qual a origem do algodão e todos os processos desde o início», avança.

Mas não é só matéria-prima italiana que compõe esta linha que conta com 7 modelos de jeans para senhora e 2 (para já) para homem. «Trabalhamos com ‘red selvage’. Um dos materiais é concebido em teares em Braga», conta. Teares esses com 100 anos, como adianta o designer Paulo Santos, conhecido por muitos como o «guru do denim», fruto dos 28 anos de experiência na área.

Quanto aos modelos disponível, Paulo sugere uma viagem pelo mundo da ganga: «Quis apanhar um pouco a história a partir dos anos 60, com o modelo ‘boyfriend’, inspirado em Woodstock, quando a mulher usava a calça do namorado. Depois temos o modelo com a pata de elefante, a boca-de-sino de cima a baixo mais inspirado no ‘disco music’, nos anos 70. Seguimos para outro modelo ‘boyfriend’, mais dos anos 90, mais a afunilar, a mostrar a forma feminina. E depois surgem as licras, com modelos mais skinny, cinta alta, e bocas-de-sino que estão a voltar.»

«Quis apanhar um pouco a história a partir dos anos 60, com o modelo ‘boyfriend’, inspirado em Woodstock, quando a mulher usava a calça do namorado. Depois temos o modelo com a pata de elefante, a boca-de-sino de cima a baixo mais inspirado no ‘disco music’, nos anos 70.»

Mas a marca disponibiliza também os tais modelos mais «raw», sem lavagem. Aqueles que se pretendem adaptar ao corpo do cliente. Paulo que já trabalhou com marcas próprias e marcas internacionais recorda os mais puristas. «O diretor da Levi’s, por exemplo, diz que não lava as calças. Há até os chamados ‘denim freaks’ que metem as calças no frigorífico para matar os germes», conta, lembrando que em Portugal «não existe, infelizmente, o culto do denim».

Num país conhecido como sendo dos melhores na indústria têxtil, Pedro questiona por que não existia até agora uma marca própria – para o segmento premium – feita em Portugal. «Há uma lacuna no mercado português, é esse nicho que queremos ocupar. Há mais de 20 anos que estou nesta área, e vejo que a produção têxtil portuguesa é muito respeitada na Europa. Grande parte das coleções das grifes é feita em Portugal. Sabemos como fazer. Nunca entendi como é que viajo pelas lojas na Europa e não vejo uma etiqueta portuguesa. Não há. Como é que é possível num país onde se sabe fazer e existem bons designers. Vamos tentar combater isso», conclui Pedro.

De futuro, a marca terá também saias, camisa, casacos, blusões de couro, botas botins. 2020 será o ano da internacionalização, garante. Espanha, França, Itália, Alemanha e Bélgica são os países onde se espera ver essa etiqueta portuguesa.