Greg é um geek. E vendeu o santo graal dos carros vintage

A 25 de agosto de 2018, Greg Whitten fez história: vendeu o carro mais caro do mundo em leilão. O seu Ferrari 250 GTO de 1962 mudou de mãos por 42 milhões de euros. Greg festejou com champanhe. Não é o dinheiro que o move.

Texto por Marina Almeida
Em doze minutos, o impecável Ferrari 250 GTO, o terceiro de 36 alguma vez produzidos, fez soar o martelo no exclusivo leilão de carros antigos da Sotheby’s em Monterey, Califórnia. 48,4 milhões de dólares, cerca de 42 milhões de euros – um recorde mundial. O Ferrari de Greg Whitten tornava-se o carro mais caro do mundo vendido em leilão.

O comprador, para já, quis manter-se no anonimato – embora não seja provável que quem compra um carro assim queira manter a discrição. Whitten é um bom exemplo da vaidade de quem compra carros de coleção. Apesar de ter vendido o GTO, considerado o santo graal dos carros vintage, continua a ter uma generosa coleção, que não se coíbe de conduzir.

Contou que comprou o Ferrari 250 GTO de 1962, vermelho, ostentando o número 23 nas portas e no capô, para competir em corridas de carros vintage. Chegou aos 240 quiómetros/hora ao volante desta maravilha. «É um belo carro, mas não está completo até o conduzires em prova», disse.

Mas quem é este homem que compra (e vende) carros como quem compra rebuçados? Formado na Universidade da Virgínia em 1973 e em Harvard em 1979, Greg Whitten é o CEO da tecnológica Numerix. Começou a sua carreira na Microsoft, depois de ter chamado a atenção de Bill Gates. Foi o seu 11º empregado e ali esteve 19 anos, como responsável pela arquitetura de software da tecnológica.

O engenheiro de computação tornou-se, também, um colecionador de carros – tem na sua garagem uma dúzia de exemplares de Ferrari, como o F40, o seu primeiro. E quer comprar mais carros em leilão.

O Ferrari 250 GTO, com o chassis 3413 GT, estava nas suas mãos desde 2000. Segundo os especialistas, comprara-o por menos de um décimo do valor conseguido em leilão.

A venda do santo graal dos carros vintage por 42 milhões de euros fez subir o total de transações de carros de coleção para os 323 milhões de euros, o que representa um aumento de 12% em relação ao ano anterior, noticiou a CNBC.

Perguntaram a Whitten como é que um carro pode valer o preço de várias mansões. «É muito difícil medir. Estamos em território raro, onde há colecionadores e o Ferrari é o carro mais colecionável e o GTO é o pináculo», disse. Greg disse ainda que não compra carros como investimento, mas pelo prazer de os conduzir e competir. Também lhe perguntaram qual tinha sido o melhor investimento – a Microsoft ou o Ferrari. Respondeu que a tecnológica foi melhor investimento, mas o carro é «muito mais divertido».