Elizabeth cria peças únicas de joalharia inspiradas em Portugal

Azulejos que servem de inspiração a peças únicas. A ideia partiu de Elizabeth Anjos, uma americana que há trinta anos se casou com um português e se mudou de malas, bagagens e criatividade para Portugal.

Texto de Patrícia Tadeia

Inspirada por tudo aquilo que a rodeava, Elizabeth quis partilhar com o mundo o que via. Dava assim a todos os que quisessem a possibilidade de usar um pouco da história de Portugal, em pulseiras, anéis, ou colares com padrões icónicos da cultura nacional. «Conheci o meu marido, Arménio, em Nova Iorque, ele tinha ido estudar para lá. Mudámo-nos para Portugal em 1983, eu sem saber falar uma palavra de português», começa por dizer Elizabeth à DN Ócio.

A marca Átrio (Facebook e Instagram) nasceu apenas em 2011. «Adoro trabalhar com as minhas mãos e sinto a necessidade de criar. Agradeço a Deus, o Criador, por esta habilidade», diz ainda a americana que encara Portugal com um olhar diferente.

«Como estrangeira que viveu em Portugal durante trinta e poucos anos, tive o privilégio de conhecer os tesouros de Portugal e quis partilhá-los com o resto do mundo. Para mim é muito importante partilhar as fotos das fachadas das casas, paredes dos conventos, ou dos muros escondidos de onde vêm os azulejos. Em cada peça, conto a história do lugar onde os azulejos estão, deixando uma breve descrição dos mesmos e das respetivas fotos. Esforço-me, ao mesmo tempo, por chamar à atenção sobre o roubo e vandalização dos azulejos, que são património de todos nós», avança Elizabeth.

Atualmente vende online brincos, pulseiras, anéis e colares. As clientes são maioritariamente americanas entre os 18 e 70 anos. «As peças que gosto mais de fazer são as peças únicas. Tento conciliar as cores e os padrões com as opções dos diferentes metais e as suas estruturas. Num mundo de constante atualização, tento produzir peças de relevância atual com a beleza dos padrões antigos que os azulejos oferecem», explica. «Adoro combinar peças vintage como os micro-mosaicos italianos com outras componentes como estampas vintage, contas de vidro checo e réplicas de frescos portuguesas», enumera a fundadora da Átrio.

«Em cada peça, conto a história do lugar onde os azulejos estão, deixando uma breve descrição dos mesmos e das respetivas fotos.»

Por cá, Elizabeth e Arménio vivem entre a Figueira da Foz, Ericeira e Santa Maria da Feira. Mas já não é como dantes. Desde 2014 que se mudaram de novo para os Estados Unidos, para estar mais perto dos dois filhos – André [Allen Anjos, primeiro português a ganhar um Grammy], que vive em Portland, e Josias, engenheiro informático, que vive perto de Washington DC. «Temos muitas saudades de Portugal e tentamos voltar sempre que nos é possível», acrescenta.

Fora de Portugal, é nas joias da Átrio que vai matando saudades. «Trabalho sozinha, mas o meu marido ajuda-me quando é necessário. Quando estamos em Portugal, ele é o meu fotógrafo, estamos constantemente a tirar fotos de azulejos antigos, enriquecendo assim o nosso portfólio. Em vez de irmos à praia, nas férias, passamos os dias à caça de azulejos antigos para os fotografar e contarmos a sua história. Uma vez, estávamos perto da Ribeira, no Porto e o meu marido viu algo numa parede, coberta de sujidade. Com um pouco de papel, ele esfregou e esfregou até descobrir uns azulejos Pombalinos lindos, num prédio abandonado», recorda Elizabeth.

E são esses padrões que fazem sucesso lá fora e que levam Portugal pelo mundo. Entre as peças que vende, os brincos «são os mais procurados e os preços variam entre os $14 e $90 USD», ou seja, entre os 12 e 78 euros. Mas há peças mais caras, como os brincos de filigrana que rondam os 170 euros ou uma pregadeira que custa 146 euros.