Dar a volta ao mundo e questionar a arquitetura: Arata Isozaki é o Pritzker 2019

Aos 87 anos o arquiteto japonês Arata Isozaki foi distinguido com o nobel da arquitetura. O júri destaca a obra que se espalha pelo mundo e a complexidade de formas geométricas aparentemente simples. Para ver obras de Isozaki, há que atravessar a fronteira espanhola.

Um trabalho que atravessa tempo e fronteiras. Aos 87 anos o arquiteto, urbanista e investigador Arata Isozaki é distinguido com o Prémio Pritzker 2019. O júri do prestigiado prémio, considerado o Nobel da arquitetura, considera que Isozaki foi o primeiro japonês a trabalhar além-fronteiras, numa época em que as civilizações orientais estavam muito influenciadas pelas ocidentais, fazendo uma arquitetura “verdadeiramente internacional”. “Num mundo global, a arquitetura precisa dessa comunicação”.

“Quis ver o mundo com os meus olhos, e então viajei à volta do globo pelo menos dez vezes antes de chegar aos 30 anos. Queria sentir a vida das pessoas nos diferentes locais e viajei muito no Japão, mas também no mundo islâmico, aldeias em montanhas remotas da China, sudoeste asiático e cidades metropolitanas dos EUA. Estava à procura de oportunidades para a fazer e ao mesmo tempo questionava a arquitetura”, referiu Arata Isozaki.

Nascido em Oita, na ilha de Kyushu, no sul do Japão, em 1931, Isozaki começou a destacar-se como arquiteto durante a reconstrução do após Segunda Guerra Mundial (1939-1945). Com mais de cinco décadas de trabalho e uma centena de edifícios construídos, o seu trabalho de Isozaki encontra-se um pouco por todo o mundo. Projetou o Palau Saint Jordi, complexo desportivo para os Jogos Olímpicos de Barcelona de 1992, e o museu interativo Domus A Casa do Homem, na Corunha, ambos em Espanha.

Algumas de suas obras mais notáveis são a Biblioteca Central de Oita(1966), no Japão, considerada uma obra-prima do brutalismo japonês. Também o Museu de Arte Moderna de Gunma, também no Japão, inaugurado em 1974 ou a biblioteca de Kitakyushu (1974) merecem destaque. Nos Estados Unidos, assina o Museu de Arte Contemporânea de Los Angeles (1986) e a sede da Disney, na Florida (1991).

Em 2013 fez, em parceria com o artista indiano Anish Kapoor, uma sala de espetáculos insuflável para regiões do Japão afetadas pelo tsunami de 2011.

Uma de suas obras mais recentes é a Allianz Tower, inaugurada em Milão, no norte de Itália, em 2018. “Os seus edifícios aparentam ser geometricamente simples, mas estão infundidos de teoria e objetivo“, refere o comunicado da Fundação Pritzker.

O júri deste ano foi composto, além de Breyer, pelos arquitetos Richard Rogers (Reino Unido), Pritzker/2007; Benedetta Tagliabue (Itália); Kazuyo Sejima (Japão), Pritzker/2010; Wang Shu (China), Pritzker/2012; e Ratan N. Tata (Índia). Do grupo de jurados fez também parte o embaixador do Brasil na Índia e crítico de arquitetura, André Aranha Corrêa do Lago, e a norte-americana Martha Thorne, diretora executiva do prémio e decana da Faculdade de Arquitetura e Design de Madrid.

O prémio tem o valor pecuniário de cem mil euros e Isozaki receberá ainda um certificado e um medalhão em bronze, onde no verso estão gravadas as palavras latinas: “Firmitas, Utilitas, Venustas” (“Firmeza, Utilidade e Beleza), os princípios fundamentais da arquitetura de Vitruvius, arquiteto romano que viveu no século I antes de Cristo, do qual chegou à atualidade a obra De Architectura“.

No ano passado, o distinguido com o Pritzker foi o arquiteto indiano Balkrishna Doshi, autor de mais de uma centena de projetos em 70 anos de carreira. Portugal tem dois Pritzker: Siza Vieira (1992) e Souto Moura (2011).

Palau Saint Jordi, Barcelona 1992