Claus Porto abre loja em Nova Iorque até ao fim do ano

Com mais de 130 anos de história, a Claus Porto, marca de sabonetes 100% portuguesa, prepara-se para conquistar Nova Iorque. Os últimos pormenores daquela que é a primeira loja da marca fora de Portugal estão a ser finalizados e a inauguração está marcada para o último trimestre do ano.

Texto de Patrícia Tadeia

A marca já conta com 131 anos de história. Nasceu em 1887, quando dois alemães – Ferdinand Claus e George Schweder – se mudaram para o Porto e, em vez de investir em vinhos, resolveram fundar a primeira fábrica nacional de sabonetes e perfumes. Só 129 anos depois da fundação – ou seja, em 2016 – a marca abriu a primeira loja, no Chiado, em Lisboa. Seguiu-se imediatamente a loja no Porto. Em ambos os espaços faz-se uma viagem aromática por cores e fragrâncias sem fim. Uma hora é pouco para, nesta visita guiada, ficar a conhecer tudo sobre a marca. Entre sabonetes – em barra ou líquidos – cremes de corpo, velas perfumadas, difusores, e águas-de-colónia, há um sem número de opções. Rapidamente reconhecemos a coleção «Musgo Real», nas prateleiras, e os padrões tão próprios das embalagens ali alinhadas. Todos os produtos parecem ter uma história para contar. E são estas histórias que, nos próximos meses, viajam até Nova Iorque, onde a marca vai abrir a terceira loja.

Sempre virada para o mercado internacional, a marca está presente em cerca de 60 lojas, espalhadas pelos cinco continentes. «A Claus Porto sempre foi uma marca muito virada para fora. Sempre foi vendida em lojas de terceiros, sobretudo lá fora. Só 129 anos depois, abrimos a primeira própria aqui em Lisboa e a loja mãe, no Porto, foi aberta quando a marca fez 130 anos», começa por explicar Maria João Nogueira Mendes, diretora de comunicação da marca.

Quanto à loja nos Estados Unidos, garante, «é um mercado que sempre esteve muito ligado a história da marca». «Em 1904, a Claus Porto ganhou uma medalha de ouro na Exposição Universal de Saint Louis, nos EUA, e em 1907 o mesmo acontece em Madrid. Há razões históricas que ligam a marca ao mercado nos EUA», continua. Mais que não seja, é importante recordar o momento em que em 2007, a apresentadora norte-americana Oprah Winfrey recomendou o sabonete da Claus Porto. «Até hoje, continuamos sem fazer ideia porque é que ela falou na marca. Nunca ninguém lhe ofereceu fosse o que fosse. E naquela altura até foi uma loucura fazer face às encomendas», confessa.

Após a primeira guerra mundial, a empresa passa para as mãos portuguesas do colaborador Achilles Alves de Brito. Hoje quem a gere é Aquiles de Brito, a quarta geração da família.

Recordando os 130 anos da marca, comemorados no ano passado, além da abertura da loja no Porto, foi ainda lançado um livro com a retrospetiva da marca, e um perfume de edição limitada, com 1.887 frascos, ano do nascimento da Claus Porto, cada um com o preço de 160 euros. «Convidámos uma perfumista inglesa, a Lyn Harris, que tem uma abordagem diferente e muito naturalista fazer uma viagem por Portugal para perceber a que cheira o nosso país. Foi em setembro de 2016. Ela voltou fascinada. Dizia que Portugal cheirava a coisas incríveis. A conclusão dela é que Portugal cheira a eucaliptos, pinheiros e mar. E a verdade é que nós que vivemos com estes aromas todos os dias não lhes damos importância. Ela teve o distanciamento para perceber o que é único em Portugal e o que nos distingue dos restantes países», conta ainda Maria.

O que distingue também esta marca das restantes é o trabalho artesanal por traz de cada um dos sabonetes ou embalagens. São produtos artesanais, embrulhados à mão, em embalagens com ilustrações artísticas e únicas. Alguns deles, os da coleção Clássico, têm inclusive lacre a selá-los, como se de uma carta se tratasse.

Mas será que nos tempos que correm, o sabonete em barra ainda tem muitos fãs? «Julgo que cada vez mais. As pessoas estão a readotar o sabonete em barra, que durante muito tempo foi menos usado. Há uma tendência enorme para voltar às raízes. Também há uma vertente ecológica, estes sabonetes duram muito mais tempo e a embalagem é papel. Ainda assim, mesmo nos sabonetes líquidos estamos a ir ao encontro das preocupações ambientais. Tanto nos sabonetes líquidos como nos cremes de corpo, 99% de ingredientes são naturais e provenientes de agricultura biológica. Além disso, o plástico das embalagens é reciclável», explica a responsável.

Marca lançou conjunto de cinco águas-de-colónia inspirado nos cheiros de Portugal.

Além das «caixas gift», cada vez mais procuradas na loja, os sabonetes, sabonetes líquidos ou cremes de corpo, velas, difusores, ou ainda cadernos, a marca – inspirada no trabalho feito pela perfumista com o perfume que veio comemorar os 130 anos – lançou recentemente uma coleção de cinco águas-de-colónia. Cada um dos produtos tem também a história de uma vivência de Lyn Harris. Cada colónia reflete um momento, seja numa típica estrada do Alentejo interior que, incrivelmente, até cheira a mar, uma Lisboa polvilhada com aromas do mundo, o cheiro dos pomares do Douro, ou do granito das construções no Porto. Os momentos marcam cada um dos aromas destes perfumes que estão disponíveis em versão individual de 125 ml (85 euros), ou numa caixa com embalagens de 10ml das cinco colónias (80 euros).

Um sem número de opções que no próximo Natal já serão sem dúvida opção de compra para os norte-americanos. Um Natal em Nova Iorque com direito a neve em Times Square e sabonetes Claus Porto, numa rua da cidade.