O carro mais caro do mundo vai a leilão

Um exemplar do raro Ferrari 250 GTO de 1962 vai à praça a 25 de agosto nos Estados Unidos. Tem uma base de licitação de 38 milhões de euros, mas os especialistas acreditam que poderá quase duplicar.

Texto de Marina Almeida

É o Santo Graal dos colecionadores de carros: o Ferrari 250 GTO, com o chassis 3413GT, o terceiro de 36 construídos, vai a leilão. O exemplar, de 1962, está nas mãos de um multimilionário americano e seguramente terá novo dono a 25 de agosto, no leilão da Sotheby’s em Monterey, na Califórnia. O carro, vermelho, ostentando o número 23 nas portas e no capô, tem um longo currículo de vitórias, que o torna ainda mais apetecível: conquistou o primeiro lugar em mais de 300 corridas em todo o mundo.

A sua carreira começou a 13 de maio de 1962 (menos de um mês depois de sair da fábrica) a vencer, com Edoardo Lualdi-Gabardi ao volante no prémio Citta Asagio. Foi a mulher de Lualdi-Gabardi, um dos mais carismáticos pilotos da época e amigo de Enzo Ferrari, que o comprou para o marido. «Estamos entusiasmados com a rara oportunidade de oferecer um lendário Ferrari 250 GTO em leilão», disse Shelby Myers, especialista de carros da RM Sotheby’s. «Graças à evolução da tecnologia e dos regulamentos de segurança, o GTO foi essencialmente o último corredor de estrada, marcando o fim de uma era em que os pilotos tinham mesmo de sujar as mãos. Este foi o último dos carros que podíamos estacionar na garagem, levar para a pista, ganhar a corrida e voltar para casa», refere.

O valor base de licitação são 45 milhões de dólares, cerca de 38 milhões de euros, mas os especialistas que o carro vermelho com o número 23 nas portas chegue alcance um recorde mundial. O interesse dos colecionadores de todo o mundo por estes modelos é enorme. Em junho, um Ferrari GTO de 1963 foi vendido por 70 milhões de dólares (59 milhões de euros) num leilão privado pela Bonham’s.

O que faz estes carros de coleção da marca italiana serem tão valorizados? Para além do design único e belíssimo e da raridade (só existem 36), são a última evolução do também famoso Ferrari GT Berlinetta com caixa de cinco velocidades e motor frontal.

O carro que dia 25 vai a leilão está há cerca de 18 anos nas mãos de Greg Whitten, um multimilionário norte-americano e colecionador. Comprou-o em 2000 ao fundador da L’Oreal, Sir Lindsay Owens-Jones, por sete milhões de dólares (seis milhões de euros).

Whitten fez fortuna no mundo da informática. Foi chefe de arquitetura de software da Microsoft e presidente da Numerix, uma empresa de software informático, até 2013. Na sua coleção tem vários Ferrari, como um Ferrari F40, um Ferrari Enzo ou um Ferrari 250 GT.

Baterista dos Pink Floyd tem um

O clube de exclusivos coleccionadores de Ferrari 250 GTO inclui nomes como o estilista Ralph Lauren, o neto do fundador da Goldman Sachs, Peter Sachs ou o baterista dos Pink Floyd, Nick Mason. Entre os que têm dois exemplares deste modelo, estão o milionário britânico Lord Anthony Bamford, Rob Walton, da Wal Mart, ou o casal de milionários Tony e Lulu Wang (cada um tem o seu).

Nick Mason, o único que permanece na formação original da banda Pink Floyd, comprou o Ferrari 250 GTO em 1977 com os proveitos do álbum The Dark Side of The Moon. «Quando paguei 35 mil libras [cerca de 39 mil euros] pelo 250 GTO em 1977, senti-me estúpido por gastar tanto. Nunca pensei que pudesse valer 30 milhões de libras [33 milhões de euros] em 2016», disse em entrevista ao The Sunday Times. Nick referia-se a uma oferta que tivera nesse valor, mas depois disso outras superiores chegaram. É um dos carros que mantém, até pela sua fiabilidade: «Uma vez levei os miúdos à escola no Ferrari 250 GTO porque os outros carros não pegaram», disse na mesma entrevista.

Uma coisa é certa: o leilão de agosto da RM Sotheby’s vai ser concorrido. «Um Ferrari 250 GTO equivale no mercado motorizado a ter os Os Girassóis, de Van Gogh», disse o chairman da Bonhams, James Knight, aquando do leilão de junho. Seguramente estará de olhos postos na concorrente Sotheby’s, a ver se esta ultrapassa a Bonham’s no recorde mundial de venda de um Ferrari 250 GTO.