Aldeias do Xisto vão ter bicicleta elétrica feita à medida pela Órbita

A rede das Aldeias do Xisto reforça aposta no cicloturismo. (Reinaldo Rodrigues/Global Imagens)

Foi desenhada para uma utilização mista, em estrada e em terra batida, à medida dos territórios das Aldeias do Xisto. A bicicleta é feita pela empresa Órbita, de Águeda, e foi desenhada na Universidade de Aveiro. No início apenas estará disponível nos operadores turísticos das aldeias.

Texto de Marina Almeida

«E porque não desenhar a nossa própria bicicleta?». Se bem pensaram, melhor fizeram e no próximo mês os responsáveis das Aldeias do Xisto apresentam a sua própria bicicleta concebida por designers da Universidade de Aveiro, testada no terreno e produzida pela empresa portuguesa Órbita. «É uma bicicleta muitíssimo desenvolvida, uma bicicleta de topo, que vai estar disponível nos nossos operadores turísticos, os turismos rurais numa primeira fase, e depois ser colocada no mercado» revelou à DN Ócio o presidente da Agência para o Desenvolvimento Turístico das Aldeias do Xisto (ADXTUR), Paulo Fernandes.

«Juntámo-nos com a indústria, desenhámos, fizemos toda a prototipagem com vários designers. Fomos ter com a indústria de bicicletas nacional, a Órbita, e estamos a dar os toques finais para em fevereiro pormos cá fora a nossa bicicleta Aldeias do Xisto, que tem vários adereços para vários públicos, homem, senhora», conta.

A nova bicicleta, elétrica, em linha com a tendência europeia de aumento deste tipo de utilização, permite também alargar a faixa de aventureiros de ciclistas que se aventura na região. «É um híbrido, está num mix entre bicicleta de montanha e de estrada. Foi desenhada para nós, por isso encaixa no nosso território e temos território de estrada, no caso das aldeias, e temos muitos terrenos que de terra batida, mais de descoberta e aventura. A nova bicicleta serve na estrada, e serve em montanha e terra batida», explica Paulo Fernandes.

Para o responsável da ADXTUR, este é um passo lógico na afirmação do território das Aldeias do Xisto como um destino ligado à bicicleta. «Fomos pioneiros em Portugal na montagem de centros de BTT. Os centros de BTT que andam pelo país inteiro onde começaram nas Aldeias do Xisto. Além disso, temos hoje cerca de dois mil quilómetros cicláveis no território das aldeias do Xisto em termos de percurso marcado» aponta.

Região foi pioneira na criação da rede Bikotel (Paulo Spranger/Global Imagens)

Mas há mais no mundo das duas rodas não poluentes naquele território de 5000 quilómetros quadrados e 27 aldeias, na região centro de Portugal. Os bikotel (rede de alojamentos onde pode pernoitar, guardar a bicicleta em segurança e usufruir de serviço de reparações), por um lado, mas também o campeonato da Europa de downhill, a clássica das Aldeias do Xisto ou as montanhas épicas. «Temos montado estrutura à volta das bicicletas desde a componente mais competitiva à de lazer», sintetiza Paulo Fernandes.

A nova bicicleta vai ser desvendada em fevereiro e detalhes como o preço e as suas características técnicas serão apresentados nessa altura. Entretanto, a ADXTUR fechou um protocolo com a Federação Portuguesa de Ciclismo, no sentido de tornar a região num dos primeiros destinos cicláveis do país. «Estamos a juntar as peças que já temos e outras. Esta bicicleta é a cereja em cima do bolo de como nos queremos posicionar como um importante destino ciclável do país», frisou.

O responsável falava à margem do seminário Futuro das Aldeias do Xisto, que decorreu no Museu de Arte Popular, em Lisboa, no passado dia 18. Na reflexão, que durou um dia – e que contou com uma visita surpresa do Presidente da República –, a ligação entre o design e a comunidade foi uma das tónicas. Esta relação está, aliás, bem expressa na exposição Agricultura Lusitana, patente naquele museu até ao próximo domingo, dia 27 e que conta com variadas e estimulantes abordagens, fixadas também em catálogo.

A bicicleta é já uma presença constante no território das Aldeias do Xisto (Arquivo DN)