A nova Harley Davidson FXDR: aceleração infernal

Testamos a nova Harley Davidson com 1868 de cilindrada, o maior bicilíndrico em V da gama softail. Se não está habituado a este tipo de nomenclaturas, traduzimos por velocidade e poder de aceleração. Explicamos tudo, nas linhas mais abaixo.

Texto e Fotografia de Fernando Marques

A cultura norte-americana é responsável por décadas de influência sobre o modo de vida, um pouco por todo o mundo. A forma mais eficaz tem sido através do Cinema com filmes memoráveis, como é o caso de Easy Rider (1969), sinónimo da contracultura de uma época que foi, simultaneamente, uma crítica social e criador de tendências numa altura conturbada da história da América do Norte.

Acontece que temos uma ideia pré concebida do que é andar de moto e depois existe a realidade de andar numa Harley. São coisas muito diferentes.

Para os menos atentos, a imagem que fica do filme realizado por Dennis Hopper é a liberdade de andar de moto sem destino definido, de preferência numa Harley Davidson (HD).

Por isso, é sempre com grande expectativa que experimentamos uma nova HD. Acontece que temos uma ideia pré concebida do que é andar de moto e depois existe a realidade de andar numa Harley. São coisas muito diferentes. Sobretudo, quando se trata de um modelo equipado com o Milwaukee-Eight com 1 868 cc de cilindrada, o maior bicilíndrico em V que a Harley Davidson coloca nas suas motos – na gama softail.

Os menos experientes deverão ter alguma contenção no acelerador para evitarem alguma surpresa menos agradável, especialmente a curvar, já que o massivo pneu traseiro com a medida 240/40 parece gostar mais de andar a direito.

E é dessa forma que a FXDR surpreende: a facilidade com que o motor de 114 polegadas cúbicas (é assim que a marca mede a cilindrada dos seus motores) impulsiona os seus trezentos quilos é impressionante. Estamos a falar de 160 NM de torque disponíveis logo às 3 500 rotações, muito úteis para ultrapassagens sem ter de fazer reduções. Na verdade, podemos andar apenas nas três velocidades mais altas, na maior parte do tempo, sem nenhum problema.

Só mesmo no pára arranca na cidade e nas manobras é que o peso se faz notar e as coisas se podem complicar. O calor também é uma realidade desagradável com a qual temos de lidar, recomenda-se muita atenção aos coletores de escape, que são muito bonitos, mas podem queimar se nos descuidarmos.

Em andamento, o conforto é possível desde que se escolham estradas em bom estado. A afinação das suspensões pende para o duro e embora se possa afinar a compressão da mola do amortecedor, não conseguimos deixar de sentir bem os buracos e tampas de esgoto.

Já a posição de condução é, no mínimo, estranha: o espaço entre as pernas é assimétrico e vão esticadas para a frente assim como os braços, que por causa da posição dos avanços obriga a irmos curvados para a frente. Com esta softail, a Harley Davidson consegue preencher o lugar deixado vazio pela V-Rod e atrair clientes hardcore da marca que querem uma moto moderna, mas ainda não estão preparados para o futuro eletrificado que a HD está a delinear com a Livewire como ponta de lança desta mudança.

Ficha técnica:
Preço: 25 950 euros

Motor: Bicilíndrico em V com 1 868cc
Depósito: 16,7 litros
Altura do assento: 720mm
Peso: 303 kg

DN Ócio agradece aos Nirvana Studios a permissão para as fotos. www.nirvana.pt


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