A arquitetura volta a evitar a demolição nos prémios Mies van der Rohe

Prémio de arquitetura Mies van der Rohe 2019 elege o projeto de reabilitação de 530 apartamentos no Grand Parc, em Bordéus. O projeto é do atelier Lacaton & Vassal com os arquitetos Fréderic Druot e Christophe Hutin.

Texto de Marina Almeida

A transformação de 530 apartamentos no Grand Parc em Bordéus, França, valeu ao coletivo de arquitetos Anne Lacaton, Jean Philippe Vassal, Frédéric Druot e Christophe Hutin o prémio de arquitetura Mies van der Rohe 2019. O anúncio foi feito esta quarta-feira em Bruxelas pela Comissão Europeia e a Fundação Mies van der Rohe.

Na categoria de arquitetura emergente, o prémio foi para o atelier de Toulouse BAST, pelo projeto do refeitório da escola de Montbrun-Bocage, perto dos Pirinéus franceses.

Em ambos os casos, trata-se de ateliers franceses e de projetos para empresas públicas. No caso do projeto vencedor desta edição (que recebe 60 mil euros), o projeto do atelier Lacaton & Vassal com os arquitetos Fréderic Druot e Christophe Hutin evitou a demolição de um complexo habitacional construído no início dos anos 1960 em Bordéus. O júri valorizou o facto de o projeto desafiar o stock de habitação europeia do período pós guerra, usando os meios mínimos para alcançar o máximo efeito. Em vez de demolir, que implica um gasto considerável de energia, neste o caso o cliente entendeu e apoiou as vantagens de transformar os três edifícios existentes“, refere o comunicado.

Na última edição dos prémios Mies van der Rohe, em 2017, o reconhecimento do júri foi para a requalificação do Kleiburg, em Amesterdão, na Holanda um complexo brutalista dos anos 60 ameaçado de demolição, pelos ateliers de arquitetura NL Architects e XVW Architectuur.

Refeitório da autoria do atelier BAST (FOTO: Jordi Garcia)

No caso de Bordéus, o processo de transformação ocorreu com os habitantes a viver nas suas casas, com os novos edifícios a “colarem-se” aos existentes. “Numa altura em que as comissões para habitação social pedem uma redução do volume dos apartamentos, aqui o volume foi aumentado, oferendo dignidade e mais valor ao individual e ao coletivo”, acentua o comunicado.

O coletivo de arquitetos explica que acrescentou grandes jardins de inverno ou varandas, que agora funcionam como extensões dos apartamentos, trazendo mais luz às casas através das enormes janelas. Além do aumento de área, as habitações receberam nova instalação elétrica de os prédios novos elevadores. O custo estimado desta remodelação é de 50 mil euros, mais impostos, por casa. “Enquanto os edifícios em ascensão dedicados à habitação de luxo são vistos como exemplos de habitação ecológica, os edifícios G, H e I oferecem estas qualidades imediatamente, de uma forma generosa, económica e sustentável”, escrevem os arquitetos.

O júri, presidido pela dinamarquesa Dorte Mandrup, escolheu este projeto após a análise de 383 trabalhos de 38 países europeus – entre os quais Portugal, com 20 projetos designados. A entrega dos prémios deste ano realizar-se-á no próximo dia 07 de maio, em Barcelona, na sede da Fundação Mies van der Rohe – o pavilhão desenhado pelo arquiteto alemão, para a Exposição Internacional de 1929.


Portugal sem finalistas no prémio Mies van der Rohe