Dormimos no mais antigo hotel do Algarve. E um dos mais luxuosos

O Palacete que alberga o Hotel Bela Vista é datado de 1918 e preserva a estética romântica que o inspirou. (Diana Quintela / Global Imagens)

Luxo e História de mãos dadas. Com vista sob o mar da Praia da Rocha erguia-se em 1918 um palacete que é hoje uma referência de luxo. Na inauguração, esteve o presidente da República Sidónio Pais. Diz-se que é o hotel mais antigo do Algarve. E quem por ali passa… não passa incólume à beleza deste edifício do início do século XX, que ainda hoje se mantém.

Texto de Patrícia Tadeia | Fotografias de Diana Quintela / Global Imagens

Com 100 anos de história, o Bela Vista Hotel & Spa, que pertence à rede Relais & Chateaux, tornou-se mais recentemente num projeto contemporâneo com as matrizes do passado, reinterpretado pelo ateliê de Graça Viterbo.

«Começou por ser uma casa particular de férias que foi construída em 1918, pertencia a uma família muito abastada com negócios na indústria conserveira. A mulher adoeceu, e como viviam no Estoril, acabaram por vender o Palacete. Foi então que em 1934 abriu como hotel. Depois de ter fechado e reaberto foi então comprado pelos atuais proprietários, remodelado, e reaberto em 2011 como hotel de 5 estrelas», explica à DN Ócio Gonçalo Narciso, diretor do hotel.

Na remodelação, a principal preocupação foi a combinação de luz e conforto de um design muito atual com os azulejos, madeiras e memórias do passado. Entre elas, por exemplo, a fotografia de um Marechal finlandês que viveu num dos quartos do Palacete e que está agora exposta em cima do piano na entrada do Hotel, ou dois quadros pintados a óleo com mais de 50 anos e que representam a Praia da Rocha.

Na remodelação, a principal preocupação foi a combinação de luz e conforto de um design muito atual com os azulejos, madeiras e memórias do passado.

Cada pormenor de decoração contemporâneo é conjugado com pormenores tipicamente portugueses, como os vitrais, os tapetes de Arraiolos ou a chita de Alcobaça. «O objetivo foi manter a traça original, os elementos que identificam o Palacete, os azulejos, a madeira exótica do Brasil e os vitrais que foram todos retocados e mantidos. É um estilo muito eclético, uma mistura de muitos tons, padrões e texturas. Por exemplo, o piano era cor verde-garrafa e foi forrado com chita de Alcobaça, que colocámos também no elevador», continua Gonçalo que aproveita para referir que no passado este espaço recebeu «ilustres figuras como durante a inauguração em 1918 Sidónio Pais [antes de morrer durante um atentado na Estação do Rossio de Lisboa, no final do mesmo ano], o rei Humberto II de Itália [que viveu 36 anos exilado em Cascais] ou Fulgêncio Batista [Militar cubano que foi presidente entre 1940 e 1944, e ditador entre 1952 e 1959, até ser derrubado pela Revolução Cubana]».

Já de acordo com o blogue Turismo do Algarve, a Vila de Nossa Senhora das Dores – nome que assumia na altura, teve como primeiros hóspedes «espanhóis abastados fugidos à guerra», além de políticos republicanos e realeza. Entre os hóspedes estiveram «o conde de Barcelona e a sua família», «o presidente brasileiro Juscelino Kubitschek de Oliveira», lê-se no blogue.

No total, são três os edifícios que constituem o hotel. «O palacete tem 11 quartos e já existia, desde 1918, tal como a Casa Azul, onde temos agora sete quartos. Na altura esta era a casa dos empregados. Foi reabilitada e faz parte integrante do Bela Vista. E temos ainda o Bela Vista Jardim, com um mood mais de praia. Em todos os edifícios os quartos são diferentes, quer na dimensão, quer nas cores ou na vista.»

Um dos destaques do Hotel é ainda o restaurante Vista, sob o comando do chef João Oliveira, que em 2017 foi agraciado com uma estrela Michelin. Para esta temporada o chef criou uma carta cuja base são produtos do Mar, essencialmente da costa portuguesa. O Menu do Mar e Sustentabilidade é aliás um «movimento» criado para o Vista que se guia pelos valores da sustentabilidade dos ingredientes, da sua criação, bem como da sua captura, levando um renovado ‘Portugal Sustentável’ à mesa.

O hotel acolhe ainda uma piscina, e o único SPA em Portugal da marca francesa L’Occitane. Tem 400 metros quadrados, 5 salas de tratamento e uma zona de relaxamento, com sauna, banho turco. Os tratamentos são muito à base das plantas usadas pela marca, mas até aqui há uma preocupação com o que é local, como por exemplo com o ritual de Amêndoa Algarvia.

Um dos destaques do Hotel é ainda o restaurante Vista, sob o comando do chef João Oliveira, que em 2017 foi agraciado com uma estrela Michelin.

Atualmente, a grande maioria dos clientes do hotel são «americanos, brasileiros e franceses», garante o responsável que admite que gostaria de receber mais portugueses. De notar ainda que o Hotel bela Vista foi distinguido, pela segunda vez, pela CNN como um dos «20 of Europe’s Most Beautiful Hotels». Na lista de escolhas do canal de notícias norte-americano, o Bela Vista foi apontado como o Hotel mais bonito em Portugal, sendo aliás, o único português na lista.

Em 2015 tinha sido distinguido pelo World Luxury Hotel Awards como o Melhor Boutique Hotel de Luxo do país e em 2016 considerado pelo TripAdvisor como o «Traveller’s Choice 2016» e integra o «Top 25′ dos hotéis de luxo em Portugal». Ainda assim, Gonçalo garante que as mudanças não param. E já estão previstas mais obras de remodelação, principalmente, na cozinha. «Já há dois anos fizemos, queremos otimizar mais o espaço. Torná-lo mais funcional», conclui.