Reabre o jardim das esculturas monumentais de Eduardo Chillida em San Sebastian

No próximo dia 17 reabre o território onde o escultor basco quis abrir um parque de esculturas de grandes dimensões. O Chillida Leku – lugar de Chillida – volta a abrir as portas em Hernani, San Sebastian, no País Basco espanhol. À cultura junta um restaurante de produtos locais do chef Fede Pacha.

Texto de Marina Almeida

Eduardo Chillida e a mulher, Pilar Belzunce, compraram a quinta de Hernani, San Sebastian, em 1980. O casal dedicou-se a restaurar o edifício do século XVI e a criar a sua visão do mundo naqueles onze hectares de terreno. Nasceu o jardim das esculturas, com 40 monumentos de aço, ferro e granito cuidadosamente colocados na paisagem. O rei Juan Carlos inaugurou Chillida Leku a 16 de setembro de 2000, o artista morreu dois anos depois e o seu lugar fechou em 2011. No dia 17, o sonho de Chillida reabre pela mão dos herdeiros do escultor, em parceria com a galeria suíça Hauser & Wirth, criando um renovado polo cultural no norte de Espanha.

Entre as novidades deste regresso, para além do modelo de gestão, está a exposição inaugural com algumas obras inéditas do escultor, autor do famoso Pente do Vento (1976), ícone de San Sebastian – que, com este novo acender de holofotes, deverá caminhar para uma candidatura a Património da Humanidade pela UNESCO. A receção ao visitante do Chillida Leku foi também modificada. Conta agora com uma loja e um restaurante, Lurra, sob a batuta do chef basco Fede Pacha. A ideia do espaço assenta na sustentabilidade, com recurso a produtos locais e da época, numa parceria com a fundação Orona. O arquiteto argentino Luis Laplace assina, com Jon Essery Chillida, um dos oito filhos do artista, as intervenções nos edifícios da propriedade.

Chillida no Pente do Vento, na baía de La Concha em San Sebastian © Zabalaga Leku. San Sebastián, VEGAP, 2019. Sucesión de Eduardo Chillida y Hauser & Wirth. Foto Català Roca

“Se quando esteve aberto ao público em geral tivemos 85 mil visitantes por ano, e não havia a afluência de público [à região] que existe agora, acreditamos que podemos superar esses números com a nova gestão”, disse Luis Chillida, outro filho, e presidente da Fundação Chillida na apresentação do projeto. As esculturas ao ar livre vão ter junto a si QR Codes, para facilitar a informação ao visitante que o deseje.

Mireia Massagué, ex-diretora do Centro Gaudí de Barcelona, é a nova diretora da instituição, que assenta num novo modelo de gestão após os problemas financeiros que levaram ao encerramento de portas em 2011. Neste período, no entanto, o espaço continuou a receber visitas por marcação. Em oito anos ali acorreram cerca de 50 mil visitantes, referiram os responsáveis, citados pelo El Pais. Chillida Leku reabre pela mão dos suíços Hauser & Wirth, que chegaram a acordo com a família do escultor. Os galeristas asseguraram a representação da obra do artista, um dos bascos mais influentes do século XX, em todo o mundo.

Lotura XXXIII (1998) pesa 63 toneladas FOTO: Inigo Chillida

Para além das 43 gigantescas esculturas ao ar livre em ferro, granito e aço (uma delas, pesa 66 toneladas, a capacidade máxima de uma fundição basca), a instituição vai apresentar a exposição Eduardo Chillida Ecos, que inclui obras inéditas. Patente na Zabalaga, a casa de campo do século XVI da quinta, apresenta trabalhos mais pequenos do escultor, assim como uma viagem pelo seu processo criativo com desenhos, fotografias ou manuscritos. “São novidades, empréstimos que nunca tinham estado aqui”, referiu Ignacio Chillida, comissário da exposição – que deverá ali ficar até ao fim do ano. Entre os destaques desta mostra, os estudos para a instalação Pente do Vento, que foi declarado Conjunto Monumental pelo Governo Basco em fevereiro último.

Eduardo Chillida tem obras em 40 países. Nascido em San Sebastian em 1924, começou por estudar arquitetura na Universidade de Madrid, antes de mudar para Desenho, no Círculo de Belas Artes, também na capital espanhola. Foi em Paris que fez os seus primeiros trabalhos de escultura, impressionado com as esculturas gregas no Museu do Louvre. Regressa a Espanha em 1951, onde começa a trabalhar com os materiais da herança industrial basca: ferro, aço e madeira. Conhecido pelas suas esculturas monumentais, Chillida é autor de outras obras públicas, como as portas do Santuário de Nossa Senhora de Arantzazu, em Oñati (onde figuram também esculturas dos apóstolos de outro escultor basco, Jorge Oteiza). Ao longo da sua carreira, criou obras de tributo a figuras que admirava, como os artistas Brancusi, Alexander Calder ou Juan Miró, os músicos Bach e Vivaldi, o filósofos Martin Heidegger ou o poeta Pablo Neruda.

Chillida Leku
Barrio Jauregui, 66, Hernani
De abril a setembro – Quarta a segunda, das 10.00 às 20.00
De novembro a fevereiro – Quarta a segunda, das 10.00 às 18.00
Outubro e março – Quarta a segunda, das 10.00 às 19.00
Bilhetes a 12 euros (descontos disponíveis) – em pré-venda aqui

O restaurante Lurra, do chef Fede Pacha, com vista para o jardim das esculturas (FOTO:Mikel Chillida)