Porto vai ter galeria para livros de artista única no mundo

O galerista Nuno Centeno na sua nova galeria de arte, que está em obras, na Cooperativa dos Pedreiros, no Porto. (Pedro Granadeiro/Global Imagens)

Uma galeria de arte com um espaço pioneiro no mundo dedicado a livros de artista único. A partir de setembro, o galerista Nuno Centeno abre as portas da Cooperativa dos Pedreiros, no Porto. Quer ali fazer um lugar para nos demorarmos.

Texto de Marina Almeida

Inaugura a 21 de setembro a galeria Nuno Centeno, na antiga Cooperativa dos Pedreiros, no Porto. O novo espaço, com mil metros quadrados, junta ao espaço expositivo (com capacidade para acolher mais do que uma mostra em simultâneo) uma Artist Book Gallery, «provavelmente, o primeiro espaço no mundo dedicado a livros de artista único», refere.

O galerista portuense, um dos mais respeitados da Europa segundo a ArtNet (plataforma online dedicada às artes visuais), quer «criar mais dinâmica, diversificar o modelo de negócio dentro da mesma área e educar os novos públicos para algo muito contemporâneo que é a obra de arte como livro, como objeto.» Para isso, vai criar a Artist Book Gallery no seu novo espaço, na Cooperativa dos Pedreiros, no Porto. A Artist Book Gallery terá ainda um suporte online, onde todos os livros estarão disponíveis para consulta, com acesso gratuito. «Acho que ao final de cinco anos se vai criar a maior base de dados do mundo destes livros», perspetiva.

O espaço, localizado na Rua da Alegria, abre a 21 de setembro com uma exposição do artista norte-americano Blake Rayne. A galeria continua a aposta na mesma linha do trabalho que Nuno Centeno vem desenvolvendo, com a internacionalização dos artistas nacionais e continuar a trazer artistas estrangeiros não tão conhecidos do público nacional.

Na renovação do «mítico edifício» – a Cooperativa dos Pedreiros foi responsável pela construção da Câmara do Porto e pelo monumento da Rotunda da Boavista, acentua – o galerista está a preservar todas as características do edifício que tem estado abandonado. «Vou jogar com uma arquitetura a favor, que é muito decadente e muito estética. Trata-se de um edifício de um modernismo brutalista. A galeria vai fugir muito ao white cube, vai ser um espaço mais underground, mais alternativo. Vai ser uma galeria menos limpa», aponta. Nuno Centeno quer que as pessoas ali se demorem. «Eu ali pretendo que a pessoa vá, fique, veja um vídeo, fale com quem está, que a galeria seja um ponto de encontro.»

Rua da Alegria, 598
Porto
www.nunocenteno.com