Os ofícios de Joana Vasconcelos em Veneza

A artista portuguesa é uma das participantes da conferência Homo Faber, que decorre de 14 a 30 de setembro em Veneza. Organizado pela Michelangelo Foundation, conta com artesãos e designers de excelência de toda a Europa e Portugal não é exceção.

Texto de Marina Almeida

A conferência de Joana Vasconcelos está agendada para dia 19, às 15.15 horas, e tem como tema os tecidos «de todos os dias». A artista vai falar sobre o seu processo criativo de apropriação e recontextualização de objetos préexistentes a larga escala. A conferência Fabrics of everyday life decorre, tal como todo o programa do Homo Faber (consulte aqui), no convento de San Giorgio Maggiore, em Veneza.

A obra de Joana Vasconcelos é muito marcada pelos ofícios portugueses ligados aos tecidos e aos bordados. A artista resgatou as artes tradicionais e devolve-as, muitas vezes ampliadas, sob a forma de obras de arte. Este verão, 35 peças mostram-se no Museu Guggenheim, em Bilbau, Espanha, na retrospetiva individual I’m Your Mirror, e a monumental Royal Valkyrie está patente na Royal Academy of Arts, em Londres.

Royal Valkyrie na Royal Academy of Arts, Londres (REUTERS/Peter Nicholls)

Mas esta não é a única representação portuguesa neste encontro internacional dedicado às artes tradicionais. Entre os artesãos representados estarão, a trabalhar ao vivo, Miguel Alonso, entalhador da Fundação Ricardo Espírito Santo e Silva, Manuel Ferreira, artesão de bunho, Maria Dinis Pereira, bordadeira de Nisa e um grupo de bordadeiras da ilha da Madeira.

Haverá mais oito artesãos nacionais com peças em exposição, como o DN Ócio já noticiou. Entre os jovens, uma portuguesa, um alemão e um italiano são a representação da Fundação Ricardo Espírito Santo Silva, parceira da Michelangelo Foundation, no evento.

Os portugueses vão juntar-se a artesãos que trabalham para grandes casas, como a Dunhill, Montblanc, Hermès, Cartier, Van Cleef & Arpels, entre outras.

Nicole Segundo, representante da Michelangelo Foundation para Portugal, considera que a o evento, inédito, está é muito importante para divulgar a excelência dos ofícios portugueses. «Há realmente uma fonte muito rica nas artes portuguesas e a Homo Faber e a Michelangelo Foundation querem trabalhar para o futuro da mestria artesanal», referiu em entrevista à DN Ócio.

O programa da Homo Faber contempla várias exposições, conferências e concertos. Nas conferências (duas diárias, sempre da parte da tarde) serão abordadas várias temáticas, da arquitetura ao restauro, passando pela arte do vidro, o mundo digital, a moda, entre outras. Destaque ainda para a conferência de Francesco del Co, curador dos Pavilhões do Vaticano na Bienal de Arquitetura de Veneza (a decorrer até novembro). Entre os dez projetos de capelas que ali se apresentam, está o do arquiteto português Eduardo Souto Moura.