Os objetos abstratos da representação portuguesa na Bienal de Veneza

Objetos do quotidiano. Transformados em esculturas abstratas, entrelaçando a arte, a arquitetura e o design. É a proposta da artista plástica Leonor Antunes para a representação oficial portuguesa na Bienal de Arte de Veneza que abre ao publico este sábado.

Texto de Filipe Gil, em Veneza
Visitamos o espaço na pré-inauguração. Perto da Ponte dell’Accademia encontra-se Palazzo Giustinian Lolin, um edifício nobre do século XV, acolhe no primeiro piso a representação oficial portuguesa.
Do outro lado da cidade, não muito perto do Arsenale e do Giardini, onde se encontram os pavilhões dos países convidados e onde a 58ª edição da Bienal tem o seu coração, a representação portuguesa quase que não se dá a conhecer. Sem placa identificativa, no mesmo edifício que a representação búlgara, é necessária insistência para perceber que é ali que está exposto a interpretação de Leonor Antunes.
A proposta lusa na Bienal foi feita com a curadoria de João Ribas, e selecionada no âmbito de um concurso da Direção Geral de Artes – uma modalidade inédita até então.
Depois de se abrir umas cortinas pretas damos de caras com a visão da artista plástica portuguesa O espaço e os objetos de Leonor Antunes são uma reflexão sobre as funções dos objetos do quotidiano com potencial para se materializarem em esculturas abstratas.
O piso nobre do Palazzo está dividido em várias salas com os trabalhos da artista pendurados ou encostados às paredes e que tomam o espaço sem obstruir a passagem do visitante permitindo, na maioria, a a visualização das peças a três dimensões – e de sentir o cheiro de alguns dos materiais.
A seam, a surface, a hinge or a knot” [uma costura, uma superfície, uma dobradiça ou um nó, em tradução livre] é a interpretação da artista e que tem como objetivo o de explorar as as tradições artesanais de várias culturas se cruzam na história que criou para a Bienal.
Leonor Antunes na sua pesquisa explorou o trabalho de figuras revelastes no contexto da arquitetura de Veneza, como Carlo Scarpa (1906/1978) ,Franco Albini (1905/1977) e Franca Helg (1920/1989). De salientar que alguns dos elementos da exposição foram fabricados numa das carpintarias de Veneza que trabalharam diretamente com Scarpa.
A Bienal de Veneza inaugura este sábado, 11 de maio e tem como tema May You Live In Interesting Times [Que vivas em tempos interessantes, em tradução livre] e tem a curadoria do norte-americano Ralph Rugoff.
A Bienal está patente em vários espaços da cidade de Veneza até 24 de novembro.