[Vídeo] Os desenhos de seda de Fernanda Lamelas

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Fernanda Lamelas, arquiteta e urban sketcher, tinha os desenhos que fazia pelas cidades «presos» em cadernos. Até ao dia em que os transformou em lenços de seda em edições limitadas. Começou com o Carmo, com detalhes do Convento do Carmo, seguiu pelo Rossio, mas a coleção de acessórios Fernanda Lamelas Arts chegou já ao Palácio da Pena, ao MAAT e a Serralves.

Por Marina Almeida

Desde 2011 que Fernanda Lamelas desenha em cadernos. Desenha cidades, campo, pessoas, praias. Desenha o que lhe apetece, o que lhe salta à vista e prende o olhar. A arquiteta tornava-se Urban Sketcher, essa comunidade dinâmica que se junta para desenhar, num encontro em Lisboa que juntou desenhadores de todo o mundo. Desde então, nunca mais deixou de viajar ou simplesmente sair de casa com um caderno e as suas canetas, lápis e aguarelas. Tem milhares de desenhos em cadernos – mas eles pareciam querer sair do papel…

Há algum tempo que Fernanda pensava nisso e houve um dia que pensou, a sério, num lenço. «Veio-me à cabeça este desenho. Acho tão bonito este rendilhado de pedra, é um pórtico manuelino que está no Convento do Carmo. Chamo-lhe ‘o Carmo onde o céu de Lisboa é o protagonista’…», conta a arquiteta, que se perde quase tanto nas histórias que conta como se perde a desenhar. Carmo foi o primeiro desenho feito lenço de seda.

«Quando vimos o primeiro lenço, a família disse uau, isto é fantástico! Não estávamos a imaginar o que era passar isto para um lenço», diz António Moura, marido de Fernanda e sócio na empresa. Já habituado às pausas que a mulher faz para desenhar durante as viagens ou até durante as refeições (Fernanda adora desenhar comida e já desenhou a ementa para a escola de Hotelaria e Turismo, a convite de Miguel Júdice), destaca a exclusividade destes lenços feitos em Portugal, com trabalho manual.

Cada desenho que é finalizado em papel, colorido a aguarela, é depois digitalizado e declinado numa série de outras combinações de cores. Por isso, os lenços são vendidos em séries limitadas de dez unidades, com várias opções cromáticas, em caixas também concebidas pela autora. Depois do Carmo, seguiram-se Rossio (com um detalhe da Estação do Rossio), Neptuno (um detalhe da fonte, no Rossio), Valverde (para o hotel da Avenida da Liberdade), Marcolino (para a ourivesaria portuense, cuja remodelação fora projetada pela arquiteta), Serralves, MAAT e Pena. Mais recentemente, Filigrana.

«É o meu olhar sobre as coisas», diz Fernanda Lamelas. «É um zoom e uma transformação», explica dando como exemplo os ladrilhos do chão da ourivesaria Marcolino, «que se movem» ou o padrão de azulejos do MAAT, fixado em desenho com matizes e tonalidades: «Para mim, o MAAT é o reflexo do rio».

Fernanda começou por fazer os desenhos e levar um lenço para apresentar o projeto às diversas entidades. «Tenho trabalhado muito a fazer propostas às pessoas, levo logo o lenço», conta. Agora já vêm ter com ela, pedem mais, diz António. Mas a produção tem um tempo a respeitar, «cada desenho é no mínimo uma semana de trabalho», refere.

O futuro, passa por fazer lenços com outras medidas (a atual é 60X60) e por diversificar a oferta para outros produtos como bolsas e almofadas, usar outros tecidos, como o algodão, ou até sair do tecido para o mundo das joias. «Não podemos só pensar em mais desenhos e mais lenços, temos forçosamente que diversificar em outras direções de produtos», assume António Moura.

Projetos não faltam, e alguns já se desvendam na bancada de trabalho da artista. Para já, os lenços Fernanda Lamelas Arts estão à venda em Serralves, na Pena, no MAAT. Custam 120 euros.