Marcelo Rebelo de Sousa faz «incursão surpresa» no Museu de Arte Popular

Presidente da República aproveitou tempo livre para visitar a exposição Arquitetura Lusitana e foi surpreendido por seminário sobre as Aldeias de Xisto.

Texto e Fotografias de Marina Almeida

Eram perto das 15h30 quando os participantes no seminário Visões para o Futuro das Aldeias do Xisto regressavam ao Museu de Arte Popular após o almoço. Juntavam-se no átrio do museu quando surgiu o Presidente da República, saído da exposição Agricultura Lusitana, patente naquele espaço até ao próximo dia 27.

As funcionárias do museu aproveitaram de imediato para uma selfie enquanto a comitiva das Aldeias do Xisto de refazia da surpresa e convidava o Presidente a subir ao púlpito e abrir a segunda parte dos trabalhos. Marcelo Rebelo de Sousa contou então como dedica algum do seu tempo livre a fazer «incursões surpresa» e acabou por ser surpreendido pela «feliz coincidência» do seminário organizado pela ADXTUR.
«Não imaginava eu que ia haver aqui este encontro, eu quis ver a exposição que está a fechar, no final deste mês, e aproveitei o tempo livre. E [a exposição] é realmente excecional. Excecional no conceito e excecional no dinamismo social e no dinamismo cultural que envolve a exposição», disse à DN Ócio.

A exposição Agricultura Lusitana está patente até 27 de janeiro no Museu de Arte Popular em Belém, Lisboa, e mostra precisamente o que ali se debatia: a ligação entre o território das aldeias do Xisto, o design e as artes tradicionais.

«Fiquei muito feliz porque significa que há a conjugação entre a academia, o design – o melhor que há atual -, autarquias, populações, associações, que representam a mesma realidade, e tudo a remar no mesmo sentido. A ver se o êxito que se aponta é alcançado», disse.

«Apanhado» pela organização do seminário, subiu ao púlpito e disse que «o projeto das Aldeias do Xisto mostra como Portugal tem mudado para melhor porque fazer reviver as aldeias do xisto é fazer reviver uma parte de Portugal que estava a morrer».

Marcelo Rebelo de Sousa salientou ainda a importância deste ser um projeto que não conhece as fronteiras do território, com a área coberta de 5000 km2, galgando as divisões administrativas clássicas. «A solução aqui esboçada é magnífica», referiu. «Este é um dos projetos que até render votos não rende votos, rende coisas mais importantes que votos», acentuou.

O território das Aldeias do Xisto abrange 27 aldeias com 2700 residentes.

«É preciso pegar nisto que é piloto e fazê-lo partilhar nas comunidades, fora das comunidades, torná-lo conhecido e dar-lhe sustentabilidade”. Antes de sair, depois de discursar de improviso, fez a plateia sorrir quando disse: «sou acusado de ser muito otimista mas não é verdade. Sou muito menos otimista que o senhor Primeiro Ministro».

Preparava-se para nova visita surpresa: «tenho de partir para outra incursão surpresa, mesmo ainda antes da segurança saber para onde vou, que é o que dá mais gozo». Saiu do Museu de Arte Popular feliz: «esta primeira incursão deu-me um prazer metafísico ilimitado». Encheu a sala de palmas, ainda deu mais uns abraços e beijinhos, um par de selfies e partiu.