Escócia: Um novo Victoria & Albert para revolucionar Dundee

Desvenda-se hoje ao mundo o primeiro museu de design da Escócia. O V&A Dundee nasceu na frente ribeirinha da cidade, num espetacular projeto do japonês Kengo Kuma, que custou mais de mil milhões de euros. É o primeiro Victoria & Albert fora de Londres e quer fazer por Dundee o que o Guggenheim fez por Bilbau: uma revolução urbana.

Texto de Marina Almeida

Abrem-se as portas do V&A Dundee e são várias as novidades: é o primeiro Victoria & Albert fora de Londres, a Escócia ganhou um museu de design e a cidade de Dundee, a quarta maior do país, espera ter nova vida. Entre os atrativos do novo espaço, está a famosa Oak Room: a sala em carvalho do arquiteto escocês Charles Rennie Mackintosh é agora uma das galerias do museu, depois de ter estado 50 anos num armazém.

Implantado à beira do Rio Tay, a estética do edifício remete para um navio mas também para os penhascos das montanhas escocesas. “A grande ideia do V&A Dundee foi juntar natureza e arquitetura e criar uma nova sala de estar da cidade”, disse o arquiteto japonês Kengo Kuma. “Inspirei-me nos penhascos do nordeste da Escócia – é como se terra e água tivessem uma longa conversa e finalmente criado formas espantosas”, explica. Tudo feito em centenas de placas de betão retorcido, que lhe dão um aspeto de madeira.

O novo V&A chega após quatro anos de obras e uma derrapagem financeira: inicialmente orçado em 30 milhões de euros, acabaria por custar mais de mil milhões de euros. A ideia é que o museu se torne uma nova centralidade desta Cidade do Design da UNESCO.

“Espero que o museu possa mudar a cidade e tornar-se o seu centro de gravidade. Estou encantado e orgulhoso com o meu primeiro projeto no Reino Unido e espero que pessoas de todo o mundo o visitem”, referiu o arquiteto nipónico. O autarca de Dundee John Alexander corrobora: “O V&A Dundee é a imagem perfeita de como a cidade está a traçar um novo caminho e a transformar-se para os residentes, trabalhadores e visitantes.” O governante prevê um impulso económico para a região de 13 milhões de euros/ano, assim como a criação de 361 postos de trabalho, 249 dos quais em Dundee.

A cidade escocesa procura, com um edifício icónico e uma coleção conceituada, a projeção internacional que a cidade de Bilbau, no norte de Espanha, conseguiu com o Museu Guggenheim, inaugurado em 1997. O museu, projetado pelo norte-americano Frank Gehry, tornou-se um dos museus mais visitados de Espanha e alavancou toda uma renovação urbana naquela cidade industrial.

O gigante adormecido

O V&A Dundee terá galerias dedicadas ao design escocês, com mais de 300 objetos da coleção do museu londrino, assim como de museus e coleções privadas da Escócia e de todo o mundo. Uma das grandes atrações do espaço é a Oak Room, a sala de chá em carvalho que o arquiteto Charles Rennie Mackintosh desenhou para o salão da senhora Cranston em 1907. A sala de chá esteve guardada no Museu de Glasgow até à sua demolição em 1971 e depois num armazém. Foi meticulosamente restaurada, conservada e reconstruída e pode agora ser vivida no coração do novo V&A.

“O projeto de conservar e restaurar todo um projeto interior de Charles Rennie Mackintosh, que não estava visível há 50 anos, foi uma das fases mais excitantes do trabalho de criação do V&A Dundee”, disse o diretor do museu, Philip Long.

“A Oak Room é o gigante adormecido da nossa coleção. É o maior interior de salas de chá desenhado por Charles Rennie Mackintosh para a sala de chá de Miss Cranston em Ingram Street”, nota a curadora dos museus de Glasgow, Alison Brown.

O ambicioso programa do museu do design escocês abre com a exposição Ocean Liners: Speed and Style, que já esteve no V&A em Londres este verão. Durante este fim de semana há várias atividades para assinalar a abertura da nova sala de estar de Dundee.

O museu está aberto diariamente das 10.00 às 17.00 e a entrada é gratuita (algumas exposições serão pagas).