Há marcas portuguesas a fabricar sapatos de golfe para todo o mundo

Há poucos palcos melhores para a prática do golfe. Portugal é um dos cenários por excelência. Talvez por isso já tenha sido eleito várias vezes como Melhor Destino de Golfe do Mundo nos World Golf Awards. Mas não é só nos campos que Portugal lidera. Como fabricante de topo, destaca-se também pelo fabrico de sapatos para uma modalidade que tem cerca de 80 milhões de praticantes em todo o mundo. A DN Ócio foi conhecer melhor a Lambda e a Kankura, duas marcas portuguesas de sapatos de golfe.

Texto de Patrícia Tadeia

«A Lambda surge em 2008, resultado de uma análise que efetuámos ao mercado de calçado de golfe, tendo-se chegado à conclusão que existia a necessidade de fazer ‘renascer’ um sapato de golfe clássico, mas dando-lhe ao mesmo tempo, um toque de modernidade. Marcas de referências no calçado de golfe, começaram a afastar-se um pouco do segmento clássico e nós aproveitámos essa oportunidade», começa por explicar à DN Ócio Paulo Jorge Freitas, CEO da Lambda Golf.

Os sapatos Lambda – que a marca define como «handmade shoes» – são fabricados «com mais de 100 processos manuais» e com materiais portugueses, à exceção das peles que vêm de outros países da Europa. «Todos os nossos parceiros são da zona de Felgueiras, local onde nascem todos os sapatos Lambda», acrescenta o responsável da marca de sapatos, cujos preços variam entre os 200 e 350 euros, consoante o modelo.

«Todos os nossos parceiros são da zona de Felgueiras, local onde nascem todos os sapatos Lambda.»

Quanto ao «target», todos aqueles que «valorizam a tradição no golfe, aliada à tecnologia dos dias de hoje», diz. «No entanto, a maior parte dos nossos clientes, situam-se na faixa dos 35 e 60 anos e estão espalhados um pouco por todo o mundo, como América do Norte, Europa, África e Ásia», refere Paulo.

Quanto à concorrência, Paulo admite: «Existem algumas grandes empresas, de renome mundial, que são referências no setor do calçado de golfe, contudo a sua aposta está mais virada para produtos mais desportivos com e sem spikes, tipo ténis (sapatilhas) para golfe. O segmento dos sapatos clássicos é mais pequeno, mas bastante agressivo e a Lambda teve a astúcia e felicidade de sobreviver à fase mais turbulenta e estabelecer-se no mercado com sucesso.»

«O segmento dos sapatos clássicos é mais pequeno, mas bastante agressivo e a Lambda teve a astúcia e felicidade de sobreviver à fase mais turbulenta e estabelecer-se no mercado com sucesso.»

Os sapatos desta marca estão à venda online ou em lojas por todo o mundo. Mas para o CEO da marca, o «mercado do golfe em Portugal está a crescer, mas através do mercado de não residentes». «O turismo tem sido certamente o principal motor de crescimento do número de voltas de golfe em Portugal, mas o mercado local, não parece estar a viver os seus melhores dias. Nota-se algum esforço para dinamizar e desenvolver o golfe juvenil em Portugal, mas ainda muito tem certamente de ser feito, para que os resultados apareçam», diz Paulo Jorge Freitas, CEO da Lambda Golf.

A mesma visão tem Francisco Guerra, responsável pela Kankura. «Se pensarmos em termos de residentes, o mercado de golfe em Portugal é muito pequeno quer em número de praticantes, quer em número de consumidores. Temos, no entanto, muitos turistas de golfe que aproveitam o nosso clima e excelentes campos para visitarem o nosso País. Dou como exemplo o número elevado de voltas de golfe que os campos do Algarve anualmente albergam», começa por dizer. «Penso que, para que o número de praticantes portugueses possa aumentar, terão que ser tomadas diversas medidas ao nível da divulgação da modalidade junto das camadas mais jovens nomeadamente serem estabelecidos protocolos com as escolas do 1º e 2º ciclos», refere Francisco.

«Para que o número de praticantes portugueses possa aumentar, terão que ser tomadas diversas medidas ao nível da divulgação da modalidade junto das camadas mais jovens.»

Está então na hora de conhecermos melhor a Kankura Golf. A marca de sapatos de golfe nasceu em 2013. «António Kankura Salazar, o fundador da marca, empresário com mais de 25 anos de experiência na indústria de calçado e apaixonado golfista, decidiu aliar os seus vastos conhecimentos técnicos e desenvolver a sua própria marca de sapatos de golfe», explica Francisco.

Para o responsável, estes são «sapatos de golfe criados, desenvolvidos e testados por golfistas. Design que alia moda, conforto e qualidade». E também uma preocupação com o ambiente: «Uma das nossas prioridades é a busca de materiais e métodos que reduzam o impacto que a nossa indústria tem no meio ambiente». Exemplo dessa preocupação é a introdução recente de cortiça em todos os sapatos da Kankura Golf.

«Uma das nossas prioridades é a busca de materiais e métodos que reduzam o impacto que a nossa indústria tem no meio ambiente.»

Também integralmente produzidos em Portugal – em fábricas localizadas no Norte, os sapatos Kankura utilizam «apenas matérias-primas europeias que respeitam o ambiente de acordo com as exigentes normas REACH». «O nosso target são todos os jogadores de golfe amadores ou profissionais», refere Francisco Guerra. Os preços variam entre os 99 euros e os 179 euros. E apesar da «tenra idade, a marca está à venda em lojas de mais de 20 países e nos 5 continentes», refere. Além de estar também presente online.

Francisco aproveita para fazer uma análise sobre o mercado dos sapatos de golfe: «É um mercado muito atípico e desequilibrado. Existe uma marca que lidera com cerca de 50% das vendas e dos restantes 50% há duas marcas que tem em conjunto 25%. Restam 25% para todas as outras marcas. Sendo realistas podemos dizer que existe demasiada concentração no mercado dos sapatos de golfe. Mas acreditamos na elevada qualidade dos nossos produtos, no seu design ímpar e conforto acima da média para nos afirmarmos cada vez mais como uma das marcas de referência no panorama do Golfe», conclui Francisco.