Há 28 novas sardinhas no cardume da Bordallo Pinheiro

Enquanto os especialistas aconselham à proibição da pesca da sardinha em 2019, no Tejo, esta quarta-feira não faltou ‘stock’ desta espécie. Com uma criatividade “sem espinhas” – e uma parceria com a EGEAC que já dura desde 2014 – a Bordallo Pinheiro apresentou, a bordo de um arraial flutuante, 28 modelos inéditos. A apresentação decorreu no barco Évora, que também esta quarta-feira completou 87 anos.

Texto Patrícia Tadeia | Pedro Rocha/Global Imagens

Em dia de festa, o arraial, ao final da tarde, teve direito a música, sardinha assada e febra no pão. E até contou com a presença de Chakall, mas não na cozinha, entenda-se. O chef argentino foi desafiado a desenhar uma sardinha e assim nasceu a “Chakallina, a Sardina Tugatina”. “Adorei o convite e o mais complicado foi decidir o que ia fazer. Tive muitas ideias. Queria fazer uma sardinha ligada ao futebol, uma com rastas, porque gosto muito do Bob Marley, ou uma com um turbante. Acabei por me inspirar muito no meu restaurante, com caveiras, decoração latino-americana”, conta o chef ao DN Ócio.

E tal como a “Chakallina, a Sardina Tugatina”, também Chakall se diz português, e ao que parece – contou ao DN Ócio – além de cozinhar é também DJ nas horas vagas. “Há muitas pessoas que não sabem, mas também passo música e por vezes ponho fado e sinto vontade de chorar. Ponho Alfredo Marceneiro, ou Amália e fico com pele de galinha. Por isso digo que sou ‘super tuga’”, confessou o chef que já está em Portugal há 21 anos.

Quem está há menos tempo no país, é Madonna, mas não deixa de ter uma sardinha em sua homenagem. A história de amor da rainha da pop por Lisboa é contada na sardinha “Madona Alfacinha”.

Em tempo de Campeonato do Mundo, que acabou há poucos dias, o futebol também não ficou de fora: a “Sardinha Gooolo!” pede que o próximo mundial seja “sem espinhas”. A esta juntam-se as sardinhas equipadas à Sporting, Benfica e Futebol Clube do Porto.

E em arraial que se preze não falta a sardinha na grelha: “Puxa Brasa” é o nome da sardinha de edição limitada de apenas 172 exemplares (os anos que Raphael Bordallo Pinheiro faria se fosse vivo) lançada este ano, da autoria do escultor Isaque Pinheiro.

Uma das grandes novidades deste ano é a “Sardinha do dia”, feita à mão, em vidro. “É do dia porque é o que sair. Há um vidreiro que está a fazer sardinhas todos os dias, e tem a liberdade total. A mistura de cores, pigmentos. Quando as sardinhas chegam à loja, nunca são iguais, variam de dia para dia. A sardinha do dia é que é boa, é mais fresca!”, explica Nuno Barra, administrador da Bordallo Pinheiro e diretor de Marketing e Design Externo da Vista Alegre.

A coleção tem ainda uma parceria com World Press Cartoon com o objetivo de incluir dois temas sérios no espólio de criações. “Serve para ajudar a passar a mensagem. Este ano, um dos temas é o drama dos migrantes e o outro o assédio sexual sobre as mulheres”, conta ainda Nuno Barra ao DN Ócio.

Atualmente a coleção “Sardinha by Bordallo” vende cerca de 10 por cento para o estrangeiro, e é uma das áreas em que a marca está a apostar. A maioria da procura acontece em Portugal, e a bordo do barco Évora seguiam pelo menos três dos colecionadores e apaixonados pela marca.

A paixão de Sara pela coleção nasceu há cerca de quatro anos, quando recebeu a primeira sardinha – “A Noiva” -, como presente do marido. E esta quarta-feira viajou propositadamente da Madeira, onde vive, para assistir ao lançamento destas 28 sardinhas. “Tenho atualmente 74. Faltam-me quatro da coleção vigente e as 28 que são lançadas hoje. Apelo desesperadamente a quem tiver a sardinha feita por Pedro cabrita Reis, que foi a primeira edição especial de 80 exemplares, que ma venda!”, começa logo por dizer Sara Madalena ao DN Ócio.

“Desde adolescente que gostava da Vista Alegre e Atlantis. A Bordallo Pinheiro sempre esteve mais vocacionada para a arte humorística, e esta edição é uma reinterpretação mais moderna e também viciante, porque queremos tê-las todas, e cada uma conta uma história”, conta Sara, que tem as sardinhas todas em exposição casa, na Ponta do Sol. “Mas há parede para muitas mais”, conclui.