De Banksy a Modigliani: os leilões sensação de 2018

Foi o quadro mais caro vendido em 2018: o nu de Modigliani que a Sotheby’s levou a leilão em maio, bateu o martelo aos 138,3 milhões de euros. Mas a história do ano dos leilões fica definitivamente marcada pela obra auto-destrutiva de Banksy.

Texto de Marina Almeida

A 6 de outubro, o leiloeiro da Christie’s em Londres gritou «vendido por 1 milhão de libras» [1,1 milhões de euros]. A sala começava a aplaudir a compra, por um anónimo, da famosa pintura de Banksy Girl with Baloon (Rapariga com Balão) quando a imagem se desfez em tiras de papel. Alguém na sala acionara um controlo remoto, e a obra destruiu-se (será?). Este foi o mais mediático leilão de 2018, ano que fica ainda marcado com o recorde alcançado com uma pintura de Modigliani e com o valor alcançado com uma obra de David Hockney, a mais cara de sempre para um artista vivo.

A pintura, Nu deitado (sobre o lado esquerdo), de Amedeo Modigliani, foi a obra de arte mais cara transacionada em 2018, por 138,3 milhões de euros. O quadro de 1917, pintado três anos antes da morte do pintor aos 35 anos, mostra uma mulher nua, de costas, reclinada. Quando foi apresentado na primeira exposição a solo de Modigliani em Paris, causou polémica. A tela de 147 por 89 centímetros, é o maior nu das famosas séries que pintou.

Antes do leilão, a 14 de maio na Sotheby’s, o quadro ganhou de enorme exposição, porque foi um dos 12 nus do artista que esteve na Tate Modern, em Londres, e foi a imagem da exposição que decorreu de novembro de 2017 e abril de 2018.

No entanto, este leilão não bateu o recorde de 170 milhões alcançado três anos antes na Sotheby’s com outro nu do artista italiano.

Vendido por 80 milhões de euros, quadro de David Hockney tornou-se na obra mais cara de um pintor vivo.

Outro dos highlights do ano, foi Retrato de um Artista (Piscina com Duas Figuras) (1972), de David Hockney, levado à praça pela Christie’s em novembro. Vendido por 80 milhões de euros, tornou-se na obra mais cara de um pintor vivo. Para março de 2019 anuncia-se novo momento de entusiasmo em torno da obra do britânico, atualmente com 81 anos. A leiloeira leva à praça, a 6 de março, Henry Geldzahler and Christopher Scott, acrílico sobre tela, de 1969.

Ainda pela Christie’s foi arrematado por 95 milhões de euros o Picasso Fillette à la Corbeille Fleurie, de 1905. É uma das peças dos 36 lotes da coleção Rockefeller que foi a leilão, e alcançou um valor global de mais de 800 milhões de euros. Outra imagem emblemática da modernidade, Chop Suey, de Edward Hopper (1929) também mudou de mãos em 2018, por 91 milhões de euros, em novembro (também na Christie’s).

O artista com mais vendas do ano foi Pablo Picasso, com um total de 548 milhões de euros de transações, seguido de Claude Monet, com 310 milhões e 40 lotes e Kazimir Malevich com duas pinturas que perfizeram 75,4 milhões de euros.

De Girl with Baloon a Love is in the Bin, Banksy fez história.

Voltando a Banksy e ao leilão intencionalmente feito espetáculo pelo artista britânico: será esta uma obra destruída ou uma nova obra, criada aos olhos de todos? Dias depois do leilão, a Sotheby’s veio dizer que a pintura feita em tiras, Girl with Baloon, é afinal uma nova obra, chamada Love is in the Bin. O diretor de arte contemporânea europeia da leiloeira, Alex Branczik, disse que «Banksy não destruiu uma obra de arte no leilão, criou uma». Embora tenha qualificado a acção como «uma surpresa», considera que Love is in the Bin «é a primeira obra de arte da história a ser criada durante um leilão». Já o comprador, um anónimo de que apenas se saber ser «cliente frequente» da Sotheby’s, terá aceitado pagar o valor que o martelo marcou em cima da mesa depois do choque inicial. Percebeu que acabou por comprar uma peça muito forte da história da arte.