Bordado da Madeira destacado em exposição sobre mestria artesanal em Veneza

O bordado da Madeira viaja esta semana até Veneza para marcar presença na Homo Faber, exposição que recebe a mestria artesanal europeia entre 14 e 30 de setembro. Organizada pela Michelangelo Foundation, tem como objetivo divulgar técnicas e vários produtos de luxo mais exclusivos da Europa, como o é o bordado da Madeira.

Texto de Patrícia Tadeia

Esta é uma arte que passa de geração em geração. Um trabalho meticuloso, autêntico e ancestral que faz parte da cultura da Madeira há muitos anos. Embora exista na ilha desde o início do povoamento, no século XV, só em 1850, numa exposição das indústrias madeirenses, organizada no Palácio de São Lourenço, começa a ganhar um cariz comercial. A Madeira é então convidada a estar presente na Exposição Universal de Londres (Great Exhibition of the Works of Industry of all Nations), em 1851. A participação foi um sucesso e o bordado torna-se mundialmente famoso.

A partir de dia 14 vai ser destaque na Homo Faber, em Veneza. «O linho da Madeira é mundialmente famoso. Os padrões tradicionais, a sua qualidade e decoração são reconhecidos como exemplo; mas muitas vezes pouco se sabe sobre a origem deste ofício, e dos mestres artesãos que ainda aplicam a sua destreza e talento para a criação de obras de arte contemporânea», começa por dizer à DN Ócio Alberto Cavalli, co-diretor da Michelangelo Foundation, que organiza o evento, onde também vai marcar presença Joana Vasconcelos, como lhe demos conta aqui.

«Quando começamos a procurar os melhores artesãos europeus para o Homo Faber, começámos a investigar mais sobre esse método, do qual os nossos fundadores são fãs. E ficámos a conhecer uma série de realidades interessantes, pessoas que mantiveram a sua identidade e tradição e, ao mesmo tempo, procuraram a originalidade. Entrámos em contacto com o instituto local e convidámo-los a juntarem-se a nós no Homo Faber, no pavilhão Descoberta e Redescoberta’, dedicado às origens artesanais de produtos de luxo. Encaixam-se lá muito bem!», acrescenta o responsável em declarações à DN Ócio.

Mas não serão só as bordadeiras da Madeira a falar português no evento. «Portugal estará muito bem representado no Homo Faber: haverá muitos artesãos a marcar presença no evento, muitas peças feitas por artesãos portugueses na sala ‘Best of Europe’, e a lendária artista Joana Vasconcelos virá como convidada para falar durante uma de nossas conferências», diz ainda.

A Homo Faber é uma exposição reconhecida internacionalmente que conta com três anos de história. «Começámos a trabalhar no Homo Faber há três anos, com o objetivo de criar um evento internacional para promover artesãos em toda a Europa. Achamos que é necessário dar visibilidade aos produtos, às histórias, ao valor dos melhores mestres artesãos, fomentar um diálogo mais frutífero entre o artesanato e design e inspirar uma nova geração de mestres artesãos», conclui Alberto Cavalli, co-diretor da Michelangelo Foundation.

No total, haverá mais oito artesãos nacionais com peças em exposição, como o DN Ócio já noticiou. Entre os jovens, uma portuguesa, um alemão e um italiano são a representação da Fundação Ricardo Espírito Santo Silva, parceira da Michelangelo Foundation, no evento.