Bíblia rara feita para Filipe II vai a leilão em Londres

Bíblia Poliglota foi encomendada a Plantin, ilustre impressor de Antuérpia (foto: Christie's)

A Christie’s leva à praça no dia 11 a Bíblia Poliglota, uma obra prima do Renascimento feita há 450 anos para o Rei Filipe II de Espanha (Filipe I de Portugal). Tem uma base de licitação de 450 mil euros e é uma raridade.

Por Marina Almeida

«A oportunidade de uma vida que colecionadores perspicazes e bibliófilos não devem falhar», alerta Margaret Ford, diretora internacional do departamento de Livros e Manuscritos da Christie’s. A Bíblia Poliglota, um raro conjunto de onze volumes em pergaminho, foi encomendada pelo rei Filipe II de Espanha (Filipe I de Portugal, a partir de 1581) a Christophe Plantin, um reputado impressor e editor com oficina em Antuérpia, na Holanda. Plantin imprimiu 120 exemplares da Bíblia Poliglota, dos quais 13, em pergaminho foram entregues ao Rei em 1572. Um desses exemplares constitui o lote 152 do leilão de livros e manuscritos da Christie’s no próximo dia 11.

Também conhecida por Bíblia Régia, foi a primeira bíblia impressa do Cristianismo e é, naturalmente, o ponto alto do leilão. O conjunto que vai agora à praça estava nas mãos de um colecionador privado, depois de séculos em mãos reais. «Permaneceu na posse real até 1788, quando Charles III o ofereceu ao seu filho. Depois seguiu a descendência até ao presente proprietário», informa a Christie’s. É a única que permanecia em mãos privadas. As outras estão em instituições em Espanha, Londres, Turim e no Vaticano.

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Impressa em latim, grego, hebreu, caldaico e siríaco, é considerada uma obra-prima. Antes do leilão, os livros estiveram em exposição no Museu Plantin-Moretus, em Antuérpia, considerado o mais completo museu gráfico do mundo – onde permanecem as máquinas usadas por Plantin na impressão da Bíblia Poliglota. «O regresso da Bíblia Régia à sua casa original foi um momento emocional. Ver esta obra-prima em papel é muito comovente e a versão em pergaminho é uma experiência extraordinária», disse Iris Kocklbergh, diretora do museu, que é património mundial da UNESCO desde 2005.

O curador do Museu Plantin-Moretus explicou a importância do pergaminho, material mais durável mas também mais caro: a pele de uma ovelha apenas dá para fazer duas folhas. Dirk Imhof contou que Plantin precisou das peles de oito mil ovelhas para imprimir as 13 cópias da Bíblia Régia em pergaminho.