Artesãos partilham técnicas centenárias e ensinam a «pôr a mão na massa»

O que é nacional é bom. Sabemo-lo nós e sabem-no aqueles que estão lá fora e que procuram, cada vez mais, a mão de obra, a arte e a técnica portuguesas. Os portugueses são valorizados no estrangeiro e foi esse o mote para a criação da Portuguese Makers Craft Week. A primeira edição, em 2017, foi um sucesso. E, por isso mesmo, a partir desta segunda-feira, há mais arte em português, desta vez, em Serralves.

Texto de Patrícia Tadeia

O grande interesse das marcas internacionais na produção nacional motivou a criação do projeto: reunir designers, arquitetos e artesãos experientes que possam ensinar aos mais curiosos tudo sobre a arte portuguesa. Vasco e Ana, que na altura viviam na Suíça, perceberam, em 2016, o potencial do cunho nacional e apostaram no projeto.

«Havia espaço para explorar a criação de uma marca própria para aproveitar este conhecimento que existe em Portugal e que é muito valorizado lá fora. Temos muita qualidade e temos uma capacidade de mão-de-obra e um processo semi-industrial, que não é totalmente mecanizado e isso faz a diferença. Começámos a pesquisar para tentar perceber como podíamos explorar melhor esta oportunidade», começa por explicar Vasco Braga da Costa, um dos fundadores da Portuguese Makers.

Com a marca, nascia também a Portuguese Makers Craft Week. «É uma semana de atividades em que pretendemos reunir um conjunto de empresas e unidades de produção, marcas portuguesas com designers e arquitetos nacionais e internacionais, e fazer aqui um evento onde as pessoas possam criar os seus próprios objetos, através de workshops, e perceber um pouco mais sobre as técnicas, sempre com materiais diferentes», acrescenta Vasco que fundou a empresa com a mulher Ana Bruto da Costa.

A Portuguese Makers nasceu em 2016 e visa mostrar ao mundo o que de melhor se faz em Portugal.

Assim sendo, a partir desta segunda-feira, dia 3, e até sábado, dia 8, o evento está de volta para uma segunda edição. «Na verdade, era suposto termos feito apenas uma edição. Mas correu tão bem, que este ano decidimos repetir. A primeira foi em Cascais. E pensámos agora dar a conhecer outra cidade. O Porto reunia todas as condições e ainda temos como coorganizadora a Fundação Serralves. Assim juntamos design, arte e o ambiente do Parque – Serralves», refere ainda.

À semelhança do ano anterior, os materiais e as diferentes técnicas de produção portuguesas serão os protagonistas desta segunda edição repleta de workshops para todos os que desejam «pôr as mãos na massa». Um dia tem o custo de 150 euros, se for a semana completa, o preço sobe para 480 euros. No primeiro dia de ensinamentos, terça-feira, será Gonçalo Prudêncio o artesão. O arquiteto que viveu em Roterdão e Copenhaga vai ajudar os curiosos a construir um objeto de secretária feito a partir de desperdícios de lápis da Viarco, marca portuguesa registada em 1936. No dia seguinte será o designer Nicholai Wiig Hansen, que já colaborou com o IKEA, a levar os participantes por uma viagem no mundo da pintura e personalização de uma peça de um serviço de mesa da centenária Vista Alegre.

Na quinta-feira, a designer, artistas e arquiteta Joana Astolfi vai ensinar os truques para chegar a uma embalagem perfeita, com a ajuda das que a Claus Porto – marca com 131 anos de história – comercializa. Na sexta-feira, é a marca Get a Light, que vai conduzir os inscritos pelos segredos da construção de um candeeiro. Todos os objetos únicos criados farão parte de uma edição especial. Algumas das peças finais irão ser produzidas e lançadas no mercado sob a marca de Serralves – Portuguese Makers Craft Week Special Edition.

A Portuguese Makers é ainda uma marca de design que cria objetos utilitários desenhados por designers internacionalmente reconhecidos e com produção inteiramente portuguesa.

Depois de, na primeira edição, o evento ter recebido 140 participantes de 14 nacionalidades diferentes, este ano não fica atrás. «Estamos com 20 a 25 pessoas por dia. Mantemos a média do ano passado. Temos suíços, franceses, alemães, brasileiros e portugueses», enumera Vasco.

E desengane-se quem pense que este é um evento direcionado para profissionais. «Nada disso. São meros curiosos. Querem saber como se faz. Na primeira edição tivemos uma food designer, ilustradoras, um designer de interior de aviões, gestores, empreendedores que querem trazer novas ideias para os próprios negócios. Todos muito interessados em conhecer como se faz. O interessante desta semana é a capacidade que as pessoas têm de se adaptar aos desafios que lhes são apresentados. Criam-se objetos engraçados e sinergias interessantes entre as pessoas. Mesmo que tenham níveis diferentes na forma de trabalhar os objetos», conclui o responsável.