A artista portuguesa que está a chamar a atenção dos chineses

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Tudo começou com uma residência artística em que deu a conhecer o seu trabalho aos chineses. A partir daí as viagens para Oriente têm sido frequentes. O próximo projeto será para o segundo centro comercial com mais vendas no mundo. Na China, claro.

Texto de Filipe Gil | Fotografias Paulo Spranger/Global Imagens

É uma das poucas mulheres street artist em Portugal. Vanessa Teodoro, 35 anos, tem feito muitos trabalhos na área do luxo, apesar de não gostar do eventual rótulo que isso lhe possa trazer.

Tem acontecido quase por acaso, diz. Peças para a nova loja da Louis Vuitton em Lisboa ou para a Jaguar. Além de instalações centros comerciais de lojas de luxo na China – país que, quase sem querer, passou a destino recorrente das suas obras.

O primeiro contacto com aquele país foi através de uma residência artística em 2017. O seu trabalho chamou atenção e passou a ser representada por uma galeria local que também tem uma agência de comunicação. Daí a começar a fazer trabalhos na China foi um ápice.

“Há um fascínio por tudo o que é ocidental e a vertente comercial que tenho em alguns dos meus trabalhos ajudaram nesta relação”

Começou por fazer a decoração de todo o evento para a edição chinesa dos Instyle Magazine Awards. O que lhe trouxe contactos para pintar um Jaguar E-pace acabado de lançar naquele mercado. Mais tarde, já em 2018, voltou à China para pintar um globo de Natal gigante num centro comercial de lojas de luxo, na cidade de Zhongshan, perto de Macau. E na calha está a criação de montras artísticas para o segundo centro comercial com mais vendas no mundo, o SKC de Pequim. O que a levará mais uma vez à China. A ideia, explica, “é ter uma montra com duas faces”, como se fosse o yin e o yang, o lado bom e lado mau, com frases marcantes que vão mudando à medida que se caminha e muda a perspetiva da montra.

“Se tudo correr bem irei expor na cidade de Pequim em julho e em novembro”. Estas novas oportunidades na China foi algo que nunca passou pelos planos de Vanessa. “Há um fascínio por tudo o que é ocidental e a vertente comercial que tenho em alguns dos meus trabalhos ajudaram nesta relação”.

Vanessa Teodoro junta a algumas das peças que tem criado (Fotografia Paulo Spranger/Global Imagens)

Luxo e murais de rua

A Louis Vuitton tem sido outro dos clientes ligados ao luxo com quem Vanessa Teodoro tem colaborado. Na recente reabertura da loja lisboeta criou 16 peças para serem expostas (e vendidas). Anteriormente já tinha colaborado com o guia de Lisboa da marca, onde é mencionada num mini roteiro dos murais que tem pela cidade de Lisboa (no Lumiar e no Bairro Padre Cruz, entre outros).

Mas nem só para o luxo trabalha Vanessa. Marcas como a Heineken, You Tube, Harley Davidson, Canon, Millennium BCP ou a uma fachada especial que cobriu durante dois meses o edifício Embaixada, no Príncipe Real.

Vanessa Teodoro começou a trabalhar em agências e estúdios de design, onde diz ter aprendido a vertente mais comercial, e depois lançou-se sozinha com o nome de Super Van. Algo que tem vindo a abandonar e a assumir as obras em nome próprio. “Talvez seja uma questão de maturidade”, comenta.

A inspiração vem de dentro

E a inspiração, vem de onde? Para esta artista, nascida na África do Sul, criar é uma forma de auto-conhecimento. “Muitas das coisas que pinto são inconscientes. Quando as revejo, mais tarde, vejo a razão porque pintei daquela maneira.”

Apesar da inspiração mudar, há algo que faz questão: referências a mulheres. Uma presença frequente nas suas obras, como a ilustração de uma sardinha com saltos altos.

Vanessa é, ainda, das poucas mulheres street artist em Portugal. Não há razão para tal, comenta, mas talvez o pintar murais e isso exigir esforço físico possa afastar as mulheres. Foi isso, aliás, que a fez avançar para esta área.

Vanessa Teodoro falou com o DN Ócio enquanto mudava o atelier do Príncipe Real para a zona de Marvila e dias antes de viajar de férias para África do Sul, de onde saiu com dez anos. É lá que vai ao encontro de algumas raízes, de mais inspiração que provavelmente veremos nas suas futuras obras, numa carteira de luxo ou num mural de cidade.


Collectiva: Mulheres joalheiras ao poder