LABulligrafía: o novo projeto do chef Ferran Adrià

Sete anos depois de fechar o restaurante ElBulli, aquele que é considerado um dos melhores chefs do mundo, Ferran Adrià apresenta o seu novo projeto: um arquivo-museu. Ainda não tem local definitivo, mas Adrià prevê que fature 20 milhões de euros por ano. Falamos de LABulligrafía.

Em vez de um restaurante o conhecido cozinheiro aposta numa fundação. Milhares de documentos – entre livros, fotografias, vídeos, objetos de cozinha, móveis -revisitam os anos do restaurante ElBulli. «Emoções, recordações, criações» assim o explica Ferran no vídeo que deixa antever um pouco o que virá a ser o projeto, terminado até ao fim de 2019. O destino é em grande: um armazém industrial de cerca de 2.000 metros quadrados ao longo de dois andares. Quanto ao local, tudo indica que seja em Barcelona.

Duas dimensões: a física e a digital unem-se nesta LABulligrafía, um arquivo e uma exposição, e um projeto único configuram este museu gastronómico.

Depois do sucesso que foi a exposição sobre o restaurante, em Barcelona, em 2012 – ao fim de seis meses já tinha tido 800.000 visitantes – o chef considera, em entrevista ao Expansion, que este é o «ponto de viragem».

«Vimos que houve um interesse no assunto. Confirmou-se que o conhecimento físico e intelectual de ElBulli existia e devia ser um legado. Transformámos tudo num arquivo. Essa é a base da LABulligrafía», conta.

«Além da parte física, estamos a arquivar tudo digitalmente, com um trabalho que Silvia Fernández (ElBarri) e Marc Cuspinera (ElBulli) começaram no ElBulliCarmen [um dos workshops de Adrià no passado] e cuja génese já data 2004», continua o chef.

«Vimos que houve um interesse no assunto. Confirmou-se que o conhecimento físico e intelectual de ElBulli existia e devia ser um legado. Transformámos tudo num arquivo. Essa é a base da LABulligrafía.»

Em causa está um investimento de sete a 10 milhões de euros. «Será um negócio incrível, porque vai apostar nas visitas e temos meio milhão de pessoas que poderão passar por lá em cada ano. O bilhete custa 40 euros: inclui a visita e acesso aos arquivos online», diz ainda, o que daria um valor de 20 milhões euros por ano. «Se formos mais prudentes e assumirmos que cerca de 200 mil pessoas entrarão no arquivo do museu, faremos oito milhões e, como somos poucos, é um saldo positivo», continua Ferran que trabalha com uma equipa de 25 pessoas.

O projeto de LABulligrafía prevê um espaço para todos os livros do ElBulli, outro para notícias na comunicação social, outro para trabalhar ou servir alimentos, uma zona para prémios, informações sobre a participação de Adrià em congressos e, inclusive, algumas jaquetas do reconhecido chef. A longo prazo a ideia é incluir ainda mais 2.000 metros ao projeto inicial para a construção de um restaurante.