Irreverência dos «Ballets Russes» de volta a Lisboa

Já lá vão cem anos desde que Lisboa recebeu os onze espetáculos da companhia de Serge Diaghilev. Foi entre de dezembro de 1917 e abril de 1918, no Coliseu.

Os tempos eram outros, e foram muitas as aventuras que a companhia viveu por Lisboa, entre o escândalo e a admiração, a exaltação e a rejeição, ou até o fato de terem tido de cancelar a primeira atuação a 5 de dezembro devido ao golpe de Estado de Sidónio Pais.

Esta sexta-feira, 13 de julho de 2017, a Galeria Millennium recebe uma exposição que promete quebrar o ciclo de azares e controvérsia vivido pela companhia de bailado. Chama-se «Os Ballets Russes: Modernidade após Diaghilev».

Assim se recordam dois anos que foram repletos de história. As aparições de Fátima ou o início da Grande Guerra são exemplos claros do que se vivia naquela época. Com esta exposição, aberta ao público de 14 de julho a 29 de setembro, é abordado o impacto dos Ballets Russes nas diferentes formas de arte, da música às artes plásticas, do design de moda à literatura, à escultura e às artes decorativas.

O piso térreo da Galeria Millennium apresenta um texto introdutório à exposição, uma cronologia que remete para alguns dos momentos mais relevantes da companhia de bailado de Sergei Diaghilev e uma instalação em vídeo, projetada em quatro paredes, que ajuda os visitantes a mergulharem no contexto epocal dos Ballets Russes.

Prolongando-se para o piso 2, este núcleo conta também com a exposição de espólio privado, dando a conhecer diversas peças originais da companhia, nomeadamente os trajes originais do Dansemuseet (inéditos em Portugal), as porcelanas Meissen, desenhos de Nijinsky, aguarelas de Rodin, além de uma forte componente documental com recurso a fotos, programas da época, textos e demais documentos.

Além dos objetos físicos constam também documentos partilhados em formato digital, que podem ser explorados pelos visitantes via ecrã tátil. Aqui encontra vídeos com coreografias por exemplo.

O projeto expositivo surge no âmbito do The Lisbon Consortium e resulta do trabalho de investigação com colaboração dos estudantes dos Programas de Mestrado e Doutoramento em Estudos de Cultura da Universidade Católica Portuguesa.